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7 praias com Bandeira Azul para o Verão 2013

O que significa quando uma praia tem bandeira azul? A Associação Bandeira Azul é uma entidade europeia cujo programa visa, desde 1987, “elevar o grau de consciencialização dos cidadãos (…) para a necessidade de se proteger o ambiente marinho (…)“. Assim, em termos gerais, uma praia que tenha a “bandeira azul” é segura para banhar-se, e toda a envolvente natural está devidamente conservada.

Tendo isto em conta, apresentamos no artigo de hoje uma praia Bandeira Azul por cada região de Portugal, e próximo das quais poderá encontrar alojamento na Toprural.

Praia de Moledo (foto: Filipe Barreto, Flickr)
Praia do MoledoCaminha, Viana do Castelo
Praia nortenha de areia branca e junto à fronteira com Espanha. Possui zonas para passear a pé ou de bicicleta, tal como pequeno comércio. Devido à quantidade de iodo, é bastante procurada para fins terapêuticos. É também zona de prática de surf, bodyboard, entre outras.

Praia do Osso da Baleia (foto: ViagensTravel.com)
Praia do Osso da Baleia
Pombal, Leiria
Também galardoada com o “Praias Douradas” da Quercus, esta praia fica na Mata Nacional do Urso, no centro do país. O seu nome vem do aparecimento de um esqueleto de baleia que terá dado à costa. Também é “Praia Acessível”, sobretudo porque possui acessos específicos para pessoas com mobilidade condicionada.

Praia Azul (foto: Geocaching.com)
Praia AzulSanta Cruz, Torres Vedras
Uma praia onde se pratica bastante surf e bodyboard e é também uma zona onde se pode praticar geocaching. No entanto, não se preocupe em relação às marés: no Verão as águas acalmam!

Praia do Carvalhal (foto: Rafael Almeida, TrekEarth)
Praia do CarvalhalOdemira, Alentejo
Situa-se num vale da costa alentejana e está perto das localidades da Zambujeira do Mar. Tem bons acessos (tanto em geral como específico, sobretudo para pessoas com mobilidade condicionada). A praia é vigiada.


Praia da Terra EstreitaSanta Luzia, Tavira, Algarve
Está em pleno Parque Natural da Ria Formosa, numa ilha que separa a ria do oceano Atlântico. Aqui encontrará uma vasta extensão de praia, e infra-estruturas turísticas de qualidade em ambiente de preservação ecológica. Para chegar à praia, tem de apanhar um barco para atravessar a ria. Belo passeio!

Praia da Fontinha (foto: Liana Aguiar)
Praia da Fontinha
Porto Santo, Madeira
Mesmo ao lado da povoação de Porto Santo, são 9 quilómetros de areias douradas, amparadas por dunas que se estendem ao longo de praticamente toda esta área da costa sul da ilha. As areias possuem qualidades terapêuticas, o que tem incentivado a procura por turistas com problemas ortopédicos e/ou reumáticos.

Areal de Santa Bárbara (foto: dannok, Panoramio)
Areal de Santa Bárbara
Ribeira Grande, S. Miguel, Açores
Praia de areia fina mas um pouco mais escura do que as do continente. Além do extenso areal, há uma falésia que vai até ao Morro de Santana. Está equipada com infra-estruturas de lazer e higiene. É uma praia bastante recomendada para surfistas rurais que queiram descobrir ondas nos Açores.

Todos os anos é, portanto, atribuído o galardão “Bandeira Azul da Europa” a praias (ou portos de recreio) que respeitem critérios ambientais específicos. Este pequeno grupo mencionado acima é apenas uma pequena amostra das praias de bandeira azul em Portugal.

Quais são as suas preferidas?

Viajando pela Rota do Sal

O que seria da nossa vida sem sal? Nada! Outrora bastante valorizado pelo Homem, foi tido como moeda de troca (daí o termo “salário”) e utilizado até nas mumificações egípcias!

O sal marinho (que utilizamos em diversas áreas, sobretudo na culinária) nasce da evaporação da água do mar e difere do sal de mesa no sentido em que este, também apelidado sal de rocha, é obtido a partir de minas subterrâneas. Regra geral, o sal obtido a partir de métodos artesanais possui menos cloreto de sódio do que o produzido industrialmente, conservando elementos como o magnésio e potássio.

Portugal sempre foi conhecido pela produção de sal, apesar da diminuição da decrescente competitividade das tradicionais salinas (área onde se produz sal através da evaporação da água do mar, ou de lagos de água salgada), ao longo das décadas, face aos processos industriais, mais competitivos.

Com o passar dos séculos, o nosso litoral foi sofrendo alterações naturais, fazendo com que muitos centros de produção salina tenham desaparecido. No entanto, algumas zonas permaneceram centros de produção de sal até aos dias de hoje. Descubramos assim cinco salinas importantes em Portugal.


Salinas de AveiroDistrito de Aveiro
Entrando em Aveiro perto das praias, o canal de S. Roque mostra ainda os antigos palheiros de armazenamento convertidos em restaurantes e bares. A autarquia possui um pequeno ecomuseu do sal.


Salinas da Figueira da FozDistrito de Coimbra
Estão situadas na ilha da Murraceira, no leito do rio Mondego. Ou melhor, estavam. Com o gradual abandono desta actividade na Figueira da Foz, o espaço foi reconvertido para aquacultura. No entanto, ainda é mais do que merecedor de uma visita, não se podendo perder belas áreas de produção como o Corredor da Cobra.


Salinas do TejoDistrito de Lisboa
Perto de Alcochete há poucas salinas activas, como a Salina do Brito e as do Samouco (410 hectares). Embora o acesso possa estar interdito a grande parte da área, a verdade é que podemos observar a importância das salinas na preservação da biodiversidade da fauna local.


Salinas do Sado – Setúbal
A actividade praticamente desapareceu no estuário do Sado. Actualmente podemos observar vastas áreas de salinas abandonadas e talvez alguns montes de sal. Mais para os lados de Setúbal poderá visitar a Salina da Marinha Nova. Do lado de Tróia, tem oportunidade de visitar a Torrinha: aqui ainda está um grande complexo com as maiores salinas do Sado.


Salinas do Algarveregião do Algarve
Aqui há três salinas importantes: Olhão (no Parque Natural da Ria Formosa), Tavira e Castro Marim. Foi no Algarve que se deu alguma atenção ao tipo de flora existente nas salinas, constituindo uma via potencial de desenvolvimento económico da região.

A salina enquanto zona de extracção/produção de sal constitui ainda hoje, para parte da população, uma actividade económica importante. No entanto, algo inseparável destes admiráveis marcos de tradição e qualidade produtiva nacional é o seu papel importante na preservação da fauna e flora.

Se quiser partilhar a sua experiência ao visitar estas zonas de Portugal, escreva-nos através da secção de comentários abaixo.

“Gosto de aprender com as experiências de vida das pessoas que me rodeiam” – Entrevista a Paulo Guerra dos Santos

Paulo Guerra dos Santos, que em 2012 recebeu da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores da Bicicleta o galardão de Cidadania pelo activismo em prol da promoção da bicicleta, por acções relacionadas com a sua tese de mestrado e o projecto “100 dias de bicicleta em Lisboa“, pela volta a Portugal “100 dias de bicicleta em Portugal” e pelo projecto Ecovias de Portugal, pelo qual é responsável.

As Ecovias têm um conceito simultaneamente simples e ambicioso: promover a bicicleta como forma de turismo.

Para que tal seja possível há que entender o processo que torna uma iniciativa destas viável, como a necessidade de registar caminhos e estradas secundárias. Aliás, é a qualidade da sinalização que permitirá ao “ciclo-turista” orientar-se de forma a descobrir as mais belas zonas de uma determinada região.

Não podíamos deixar de achar toda a iniciativa extremamente interessante, não só por ser uma forma de turismo original e ecologicamente responsável, como também pela força de vontade do seu visionário. Passemos à entrevista:

Como surgiu a ideia das Ecovias de Portugal?
O Projecto Ecovias de Portugal teve o seu nascimento embrionário na Finlândia, país onde estagiei em 2007, no Instituto de Estradas Finlandês, e onde desenvolvi trabalho nas área da mobilidade e acalmia de tráfego. Este país tem uma rede ciclável com mais de 40 mil quilómetros, que permitem viajar por todo o país incluindo grande parte das milhares de ilhas que o constituem. Percorri algumas das suas rotas e fiquei impressionado.

Depois, a sua gestação foi-se desenvolvendo durante os anos de 2008 e 2009, enquanto estava a realizar pesquisas para a tese de mestrado em Vias de Comunicação e Transportes, no trabalho de campo “100 dias de bicicleta em Lisboa“, onde passei a utilizar a bicicleta como meio de transporte na capital. Confirmei as vantagens da utilização da bicicleta como meio de transporte, mesmo numa cidade como Lisboa.

Por fim, o nascimento do projecto deu-se durante a volta a Portugal que fiz em bicicleta no ano de 2010. Ao longo dos mais de 4500 km pedalados e em que visitei mais de 100 cidades e vilas, percorri muito do território entre elas apercebendo-me do potencial turístico do país sob o ponto de vista dos adeptos do turismo de natureza em bicicleta. Alguma pesquisa de informação sobre projectos semelhantes em outros países acabou por dar o impulso final para avançar com este conceito inovador em Portugal: a georreferenciação de caminhos e estradas secundárias existentes, com interesse do ponto de vista natural, paisagístico, arquitectónico e cultural, e criação de roteiros turísticos de média e longa distância para serem percorridos em bicicleta na sua íntegra.

Podemos afirmar que o Paulo é apaixonado pelo turismo rural? Há algum destino preferido?
Sou apaixonado pelo mundo rural em si. Nasci numa pequena aldeia do concelho de Aguiar da Beira, nos limites do distrito da Guarda, e apesar de ter crescido na capital, mantive sempre o contacto com as tradições e costumes da vida ao ar livre. Visito com frequência a aldeia. Agora, em bicicleta, visito também muitas outras.

Muitos alojamentos rurais disponibilizam bicicletas para passeios na região. Alguma recomendação específica no sentido de optimizar a experiência?
Sim, apostarem na georreferenciação de caminhos em bom estado de conservação nos seus municípios e criarem rotas temáticas e culturais para serem percorridas em bicicleta.

Já encontrou muitos destinos (lugares de interesse naturais, aldeias, etc.) com um potencial turístico desaproveitado?
De cada vez que pego na bicicleta para explorar uma região ou um concelho, descubro locais que me levam a questionar: “por que nunca tinha estado aqui?”

Em 2010 o Paulo deu início aos seus 100 dias de bicicleta. Qual era o principal objectivo da iniciativa? Que conclusões conseguiu tirar do desafio?
O principal objectivo desta volta em bicicleta pelo país que durou 4 meses foi o de contactar com os responsáveis autárquicos e fazer um levantamento geral dos projectos já desenvolvidos ou ainda em papel na área da mobilidade ciclável e promoção da utilização da bicicleta como meio de deslocação. Percebeu-se na altura que a aposta em infraestruturas dedicadas ao Turismo em Bicicleta era ainda muito embrionário em Portugal. Agora, com projectos como o das Ecovias de Portugal que estamos a desenvolver a uma escala temporal de cerca de 10 anos, o tema já entrou no debate público e político.

Até onde é que acha que a tecnologia poderá avançar no sentido de ajudar os ciclo-turistas, sobretudo em zonas rurais?
A internet e as redes sociais são um grande canal de comunicação entre os utilizadores destas tecnologias. Neles partilham-se experiências e opiniões, divulgam-se rotas, promovem-se territórios, sugerem-se destinos. E depois há o GPS, que nos guia por qualquer parte do globo terrestre.

Qual a viagem de bicicleta pelo Portugal rural que mais o marcou?
Todo o território (cerca de 92 mil km quadrados) é lindíssimo e oferece variados ambientes. Desde serras e montanhas, vales e rios, parques naturais, costa oceânica, planícies, flora e fauna variadas e claro, gentes e modos de vida ainda ligados ao território como fonte de sustento e de rendimento, difíceis de observar nos grandes aglomerados urbanos.

Raio-X
Retiro rural favorito: A pequena aldeia beirã onde nasci, pelo território e pelas pessoas.
Um livro que levaria consigo: Leio pouco. Observo muito e oiço ainda mais. Gosto de ouvir e aprender com a transmissão de conhecimentos e de experiências de vida das pessoas que me rodeiam. “Todo o homem que encontro me é superior em algo. E nesse particular, aprendo com ele”, Ralph Waldo Emerson.
Uma viagem que ficou na memória: os 100 dias de bicicleta em Portugal, pelos milhares de pessoas que conheci ao longo da viagem e a tornaram inesquecível. Pelas paisagens que nunca tinha visto. Por ter alcançado tudo isso exclusivamente com a minha energia, a pedalar. Isto inclui a Serra da Estrela e o Monte da Sra. da Graça.
Um colega cujo trabalho admira: Um casal: o Rafael e a Tânia. Viajaram nas suas bicicletas de Ovar a Macau. Isso sim, é trabalho, para levar a imagem de Portugal pelo mundo fora.
A próxima viagem: 100 dias de bicicleta pela Europa. Provavelmente de Lisboa à Finlândia.
Prato favorito: Enquanto pedalo? Figos secos portugueses. São uma bomba energética. Cada figo ingerido dá-me energia para pedalar mais 5 km. De resto, adoro tudo o que é gastronomia regional, seja peixe, carne ou marisco.

Seria interessante saber quantos dos nossos leitores utilizam a bicicleta com regularidade, sobretudo mais como alternativa de deslocação do que propriamente enquanto exercício físico… deixem os vossos comentários abaixo!

Para ler sobre outras personalidades com impacto no mundo rural, consultem a secção de Entrevistas Toprural.

Parque Natural do Vale do Guadiana – Série Reservas Naturais

Continuando a Série de Reservas Naturais Toprural, a nossa atenção recai agora sobre o Parque Natural do Vale do Guadiana. Criado em 1995 e com praticamente 70 mil hectares, está situado no Baixo Alentejo, e abrange mais do que um concelho do distrito de Beja (uma parte no concelho de Serpa e outra no de Mértola).

O Parque segue o curso do rio Guadiana, entre a queda de água do Pulo do Lobo (provavelmente a maior atracção e que foi candidato a Maravilha Rural 2012) e a ribeira do Vascão (que divide o Alentejo do Algarve). Na zona do Guadiana poderá também visitar vários açudes e moinhos.

Outros locais a não perder são Mértola (a vila-museu e principal pólo urbano do Parque) e o antigo complexo mineiro de São Domingos. Esta mina foi, noutros tempos, a maior mina de pirite da Península Ibérica. Explorada por ingleses e empregando mais de 1500 mineiros, foi definitivamente encerrada em 1960. No entanto, ainda poderá ver o Bairro Mineiro e o Palácio dos Ingleses. Se fizer bom tempo, vale a pena passar pela Praia da Albufeira da Tapada Grande, nas redondezas da mina.

De acordo com a Associação Rota do Guadiana, as espécies vegetais predominantes são o sobreiro, pinheiro-manso, azinheiras e estevas. Por sua vez, a fauna da região revela-se riquíssima: javalis, raposas, saca-rabos, ginetes, texugos e gatos-bravos compõem a família terrestre. No mundo aquático, destacam-se os ciprinídeos, nomeadamente o barbo, boga e lampreia. No que diz respeito às aves, há concentrações de águias-de-Bonelli, abutres do Egipto e bufos-reais, além das cegonhas (comuns e, mais raras, as cegonhas-pretas).

Com a meteorologia a melhorar, as zonas naturais de Portugal são excelentes destinos para turismo rural, seja para umas férias prolongadas ou um fim de semana de recuperação de energias.

Se não é grande apreciador das zonas mais quentes no pico do Verão, esta é então a melhor altura para planear uma incursão ao Vale do Guadiana. Boa viagem!

A Ria Formosa – Série Reservas Naturais

Aproveitamos para adicionar mais um destino à nossa Série de Reservas Naturais Toprural, dedicando desta vez o capítulo à área protegida da Ria Formosa, que recebeu o estatuto de Parque Natural em 1987 (embora tivesse estatuto de Reserva Natural desde 1978).

A Ria é um sapal localizado no Algarve, tem uma área de mais de 18 mil hectares (estendendo-se de Loulé a Vila Real de Santo António) e atinge a sua largura máxima (6 km) perto de Faro.

Além da sua importância para a economia (devido à variedade de peixe e marisco), é uma zona riquíssima também pela sua fauna, constituindo um ponto importante de observação de aves migratórias (onde se encontram o pato-trombeteiro, o marrequinho-comum ou o maçarico-real, por exemplo). Outras espécies conhecidas são o flamingo, a águia de asa redonda, a galinhola e o guarda-rios.

Não obstante, a espécie rara e símbolo do parque é o caimão-comum, que apenas existe e se reproduz nesta região do Algarve. Outro animal com presença no Parque e em extinção na Europa é o camaleão.

No que diz respeito a lugares de interesse, destaque-se o percurso pedestre em Olhão. São cerca de 3 km ao longo dos quais é possível visitar (recomendações da APOS):

  • uma estação romana do século IV (onde existem vestígios de antigos tanques de salga de peixe)
  • um moinho de maré
  • uma barca de atum (que em tempos levava o peixe até às fábricas de conserva)
  • um observatório de aves, um aquário (anexo ao Centro de Educação Ambiental)
  • Centro de Recuperação de Aves (reabilitação de aves feridas)

Se procura turismo rural no Algarve e com enorme valor ecológico, a Ria Formosa é um destino único no país. Aproveite a sua riqueza natural e… boa viagem!