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“As aldeias têm muito para oferecer naquilo que é a extensão do produto original, o alojamento” – Entrevista a Paulo Costa

Esta é a primeira entrevista do ano e a mais recente da nossa série de Entrevistas Toprural.

Paulo Costa é um verdadeiro dinamizador da vida rural no nosso país. Ao criar uma página no Facebook dedicada às aldeias portuguesas, o empreendedor encontrou apoio e motivação em milhares de portugueses para continuar a sua luta (a caminho dos 400 mil seguidores!).

Que luta é esta? Vejamos como o Paulo vê a situação actual, tanto de uma perspectiva turística como social.

O que o levou a criar a página (Facebook) “Aldeias de Portugal” em 2010?
O projeto Aldeias de Portugal surgiu na sequência da minha “luta” pelo desenvolvimento do interior do país, algo pelo qual venho lutando desde sempre, mas principalmente desde 2006. Quando surgiu esta maravilhosa ferramenta de comunicação, o Facebook, percebi que tinha aqui a grande plataforma para elevar e demonstrar o enorme valor dos territórios rurais. Assim surgiu a página Aldeias de Portugal que, do nada, cresceu e se tornou numa avalanche motivacional para desenvolver um projeto superior, mais amplo.

O Paulo viveu na cidade, tendo decidido regressar à sua aldeia natal, Poiares. O que o levou a tomar essa decisão?
Eu cresci na aldeia, onde aprendi e apreendi os valores que pautam a vida rural. Depois saí por motivos académicos para o Porto, e seguidamente para Lisboa, onde trabalhei. Contudo, por mais que a vida profissional estivesse a correr bem, sentia-me uma pessoa pobre, pois faltava-me a essência da vida, o contato fraterno entre pessoas, a vida pura da aldeia. E após alguns episódios citadinos mais fortes e com as notícias permanentes sobre os níveis de desertificação e envelhecimento que assolam o interior de Portugal, despedi-me, fiz as malas e regressei à origem. Agora o objetivo é levar a origem ao mundo.

Quais as características que mais procura no turismo rural, e porquê?
O Turismo Rural é um turismo autêntico, sem superficialidades, onde encontramos o que existe, como existe, onde sentimos a vida tal como ela é e onde se é tratado com a mais pura das simplicidades. Turismo Rural não significa falta de qualidade, antes pelo contrário, significa que não consumimos algo que é “industrial”. A qualidade do turismo rural hoje em dia é de elevada sofisticação, pois a oferta tem vindo a preservar o autêntico e, ao mesmo tempo, a oferecer uma sofisticação máxima nos detalhes da oferta.

Como vê a relação entre o turismo rural e as aldeias? Acha-a positiva?
É urgente aumentar as pontes entre o agente de turismo rural e a população envolvente. As aldeias têm muito para oferecer naquilo que é a extensão do produto original, o alojamento. Será necessário capacitar as gentes da aldeia para receberem turistas, através de contos de histórias e da participação em atividades rurais do dia-a-dia, ou ainda para obter animação rural, como eu lhe chamo, que serão, por exemplo, as atividades normais da ruralidade com explicação. Um exemplo: fazer pão em forno a lenha.

Que desafios enfrenta o turismo rural?
O Turismo Rural enfrenta vários desafios, nomeadamente nas dinâmicas de animação. No entanto penso que o mais importante desafio que poderá enfrentar é a forma como se promove o produto e se gerem as reservas. Os agentes de turismo rural deverão estar preocupados com o “bem-receber”, com a preparação das dinâmicas necessárias para acolher e manter o turista com vida, e não com a promoção e reserva do espaço. Urge desenvolver as centrais de reservas rurais, focalizadas no perfil do turista rural.

É o autor de “Aldeias de Portugal – Histórias e Tradições”, livro que conta com fotografias de Rui Pires (também entrevistado recentemente). Qual o impacto esperado deste projecto?
É um projeto que visa a valorização do nosso património cultural e a revitalização do interesse por toda a riqueza que este tipo de cultura e território representam. Vivemos num país desequilibrado, desertificado, envelhecido e, mais preocupante, desinteressado. Este desinteresse tem muito a ver com a perca da nossa identidade, algo que nos territórios rurais ainda preservamos e estimamos. Este livro representa essa profunda identidade, os valores, as causas, o país.

A sua página das Aldeias no Facebook tem mais de 390 mil seguidores. Que recomendações daria a um proprietario de alojamento rural no sentido de aumentar a sua visibilidade nas redes sociais?
Um rede social é algo que permite criar laços sociais, logo o primeiro conselho que posso dar é que uma página no Facebook, no caso de uma unidade de turismo rural, é algo que tem de ir muito além da comunicação do negócio, é uma plataforma que tem que criar laços de afetividade com os seus públicos, interagir, aproximar, fidelizar emoções.

Para aumentar a eficácia desta gigantesca plataforma de comunicação é preciso regularidade, pois quem pergunta quer resposta “on time”, quer personalização. Outro aspeto importante é a qualidade das imagens publicadas, pois numa plataforma em que se publicam milhares de fotos por minutos é necessário ter qualidade e diferenciação no que se publica. Uma imagem vale por mil palavras… e numa plataforma onde as palavras caem às enxurradas…

Entendemos que o site Mundo das Aldeias procura revitalizar a economia das aldeias. Embora tenha sido lançado há pouco tempo, que resultados e/ou conclusões já retirou do mesmo?
Está a ser um enorme sucesso. É um projeto recente mas que prepara um vasto conjunto de novidades na oferta dos seus serviços. Para já não só despertou o interesse de milhares de pessoas que estão a adquirir produtos no site como também de vários produtores de todo o país que pretendem utilizar este portal para comercializar os seus produtos. Estamos certos que será um projeto válido e de enorme sucesso.

Quando o Paulo não está a trabalhar em prol das aldeias portuguesas, o que lhe ocupa o resto do tempo?
Eu lidero outros projetos, quer em Portugal quer noutros países. Em Portugal organizo a Meia Maratona do Douro Vinhateiro – A MAIS BELA CORRIDA DO MUNDO, um evento que atrai dez mil pessoas de mais de vinte países e que é cada vez mais uma referência global. Além disso lidero também uma empresa de exportação de produtos endógenos, EMCODOURO, empresa com sede em Vila Real e com filial em São Paulo.

Raio-X
O seu retiro rural favorito: A minha aldeia, Poiares, no concelho de Peso da Régua
Um livro que levaria consigo: “A Ira dos Anjos” (Sidney Sheldon)
Uma viagem que ficou na memória: Chichen Itzá
Um colega cujo trabalho admira: Jorge Pegoraro
A sua próxima viagem: Pequim, já este mês
Um prato favorito: Arroz de feijão com bife de presunto

Siga o projecto do Paulo no Facebook

E também já entrevistámos o fotógrafo Rui Pires, colaborador no livro “Mundo das Aldeias – Histórias & Tradições”. Leia aqui.

“A fotografia é um bom meio de mostrar às gerações futuras um modo de vida que temo estar em extinção” – Entrevista a Rui Pires

Rui Pires é um fotógrafo português que foi já várias vezes premiado tanto a nível nacional como internacional. Membro da Photographic Society of America, a sua especialização é a fotografia documental, sobretudo a preto e branco.

Momentos rurais | Rui Pires

Em 2006 iniciou o ambicioso projecto “Momentos Rurais“, onde visa capturar a essência da vida longe da metrópole lusa, e dar a conhecer ao mundo a realidade actual portuguesa. Na Toprural estávamos bastante interessados em descobrir a visão do Rui em relação ao turismo rural, e conhecer melhor o seu trabalho. Por isso decidimos entrevistá-lo. Eis o resultado:

Rui, já realiza fotografia documental há muitos anos, sobretudo no âmbito rural. Como surgiu esta dedicação?
A minha família do lado paterno tem origens em meios rurais da Beira Alta. Desde muito novo que comecei a passar muito tempo com os meus avós nestes meios essencialmente rurais, essencialmente férias de verão. Essa memórias de infância, de um Portugal profundamente rural onde o homem vivia em harmonia com a natureza, os animais e as suas culturas levaram-me a iniciar este projecto, “Momentos Rurais”, nas poucas aldeias portuguesas que ainda vivem essencialmente da agricultura e pastorícia de uma forma comunitária.

A fotografia é um bom meio de mostrar às gerações futuras um modo de vida que temo estar em extinção, e que decerto não vão ter oportunidade de conhecer. Embora me pareça que ultimamente o designado “êxodo rural” tenha abrandado, devido à crise económica e níveis de desemprego nas grandes cidades. Mesmo os mais novos sentem alguma dificuldade em sair da aldeia por questões económicas. Por um lado, isso pode potenciar uma diminuição da desertificação das nossas aldeias; por outro, é essencial apoiá-los a desenvolverem projectos sustentáveis que lhes permitam a vida na aldeia.

Que obstáculos encontra neste tipo de projecto?
A nível de projectos de Turismo Rural, o único obstáculo que se me afigura é a mesma crise económica que referi anteriormente. Por um lado, a escassez de crédito para iniciar projectos nesta área; por outro, a falta de poder de compra, o custo dos combustíveis, as portagens nas SCUTS, e tudo isso que cada vez mais cria obstáculos à deslocação de turistas para os meios rurais.

No que diz respeito às aldeias, como vê o papel do Turismo Rural em relação às mesmas? Acha que este poderá ter algum papel decisivo na revitalização de algumas povoações?
Ultimamente tenho desenvolvido um projecto documental no Norte de África onde é possível encontrar muitas casas de aldeia a serem reconvertidas para turismo, um pouco do que é feito cá em Portugal. Antigas “Kasbahs” (edificações fortificadas) transformadas em albergues rurais e em hotéis. Todas essas iniciativas assentam num forte sentido comunitário, onde por cada turista que recebem, uma determinada verba resulta para projectos de apoio à aldeia, às suas cooperativas de artesanato, aos grupos culturais e até para projectos de apoio a pessoas da própria aldeia com incapacidades e doenças. Por outro lado também criam postos de trabalho para a juventude local, tanto a nível interno da própria unidade hoteleira como a nível externo, nomeadamente a guias, guias de montanha, grupos de musica tradicional, etc.

Acho um bom exemplo a aplicar cá, embora também conheça casos destes no nosso país. No entanto, o problema por cá derivado da crise é a própria sustentabilidade de muitos projectos deste tipo, não sendo possível aos mesmos apoiar financeiramente projectos satélite com vista a dinamizar a aldeia onde estão incluídos.

Está para breve o lançamento do livro “Aldeias de Portugal – Histórias e Tradições de Paulo Costa, e com fotografia sua. No decorrer do processo, onde ficava hospedado? E além da preocupação do livro com a preservação da tradição e cultura portuguesa, que impacto espera do seu lançamento?

As fotografias que foram utilizadas no livro das Aldeias foram todas retiradas do meu projecto “Momentos Rurais”. Grande parte foram captadas a cerca de 100 km do meu domicílio em Aveiro, pelo que não pernoitava no local. Uma outra parte foi recolhida na região do Alto Barroso, e fiquei sempre hospedado na pensão “Casa do Preto”, em Pitões das Júnias, local que simplesmente adoro.

Quanto ao livro, penso que terá grande impacto junto de quem nasceu na aldeia e vive na cidade: leva-os numa viagem à sua infância, ou juventude. Também terá, julgo eu, grande impacto junto das comunidades de emigrantes, pela “Portugalidade” inerente às fotografias. Digo isto a julgar pelos comentários que tenho visto na página de Facebook das Aldeias de Portugal.

Como analisa a repercussão da Internet – e em especial das redes sociais – no turismo rural e na vida nas aldeias?
As redes sociais são o grande mecanismo de marketing do nosso século, pelo menos por enquanto. Hoje é possível difundir a informação a uma velocidade vertiginosa através das mesmas, por todo o país e pelo mundo, através das redes de contactos dessas mesmas redes. Acho que actualmente é possível, para qualquer apreciador da vida rural, estar permanentemente a par dos acontecimentos nas suas aldeias preferidas se as mesmas difundirem informação por essa via.

Das fotos que tirou até hoje nas aldeias, tem alguma preferida? O que o atrai na mesma?
Rural Trio” – uma das minhas fotos mais premiadas internacionalmente. Em 2010 recebeu uma menção de honra no concurso internacional da IPA – International Photography Awards, em Nova Iorque. Também já foi premiada em vários países da Europa, em muitas exposições e salões fotográficos.

No fundo, acho que esta foto reflecte a forma como nas aldeias se vive em harmonia com a natureza e com os animais.

Raio-X
O seu retiro rural favorito: Pitões das Júnias, Montalegre
Um livro que levaria consigo: Em breve, o livro das Aldeias de Portugal, para poder mostrar aos meus amigos rurais, pelo menos aos que ainda estão vivos, “como ficaram na fotografia”. Mais tarde levarei “Momentos Rurais”, isto quando terminar o projecto e editar um livro de fotografia muito extenso.
Uma viagem que ficou na memória: As várias viagens que faço pelo nosso Portugal Rural, acho que as tenho todas na memória.
Um colega cujo trabalho admira: Rui Palha, o oposto da fotografia rural, o Rui é um grande fotógrafo de cidade captando a vida das comunidades citadinas como ninguém.
A sua próxima viagem: Ultimamente por motivos de estar a realizar um documentário no Norte de Africa, é para lá que tenho viajado e para onde continuarei a viajar, isto sem descurar uns fins de semana em Pitões das Júnias quando e sempre que me for possível.
Um prato favorito: Um bom “Cozido Barrosão”.

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“Acho que a palavra chave do turismo rural é, sem dúvida, a qualidade” – Entrevista a Ana Silva O’Reilly

Ana Silva O’Reilly é uma travel blogger portuguesa que está praticamente a conquistar o marco das 200.000 visitas, apesar do seu blog de viagens – “Mrs. O Around The World” – ter menos de um ano.

A sua paixão por viajar levou-a a sítios incríveis, todos descritos no seu blog. De certa forma, converteu-se também numa embaixatriz do nosso país, partilhando com a sua audiência aquelas que considera as melhores coisas de Portugal, com os seus posts referentes à nossa cultura.

Nesta segunda edição das Entrevistas TR (Toprural) decidimos entrevistá-la para descobrir como é a vida de uma portuguesa à volta do mundo, conhecer a sua visão sobre o mundo rural português e o alcance do seu projecto.

Mrs. O Around The World

Como surgiu o blog?
Surgiu quase como uma brincadeira , no final de 2011. Sempre fui a “amiga” que viajava e a quem pediam recomendações de restaurantes, hotéis, etc quando os meus amigos queriam viajar. Tinha já uma série de emails prontos a enviar por cidade, devido aos pedidos. Decidi começar o blog desafiada por alguns amigos, mas nomeadamente devido à minha presença no Twitter e do meu alter-go, a Mrs. O Around the World (@mrsoaroundworld)

O teu blog está em inglés? Porquê em inglês?
Vivo em Inglaterra há 3 anos, vivi também em Espanha e tenho amigos em todo o mundo. Foi uma escolha natural.

Quais são os maiores obstáculos com que se depara uma travel blogger na promoção de um blog de viagens?
Tempo. Claro que nunca pensei que o mrsoaroundtheworld.com tivesse o nivel de aceitação que teve. Vou celebrar 10 meses brevemente e prestes a chegar ao visitante 200.000! Mas é preciso partilhar conteúdo, escrever e fazer com que as pessoas leiam. Muito tempo no twitter, facebook e outras plataformas.

Portugal anuncia-se suficientemente como um destino de turismo rural?
Nao. Internamente sim, mas a nivel internacional não tanto.

No teu blog vimos alguns posts que dizem respeito ao turismo rural. Como analisas a repercussão da Internet, em especial das redes sociais e os blogs, no turismo rural?
Acho que é essencial e uma muito boa forma de poderem chegar a outro tipo de clientes, nomeadamente internacionais. O exemplo da Fazenda Nova  que visitei recentemente, é extraordinário. Começaram a interagir comigo há mais de 6 meses e antes da abertura convidaram me para os visitar.

Piscina da Fazenda Nova no Alentejo

Fazes muitas viagens. Das visitas que já fizeste às propriedades rurais portuguesas, tiras alguma conclusão sobre as nossas eventuais vantagens em relação a outros mercados?
Eu pessoalmente adoro o conceito e acho que temos turismos rurais de muitíssima qualidade. Acho que a palavra chave aqui é, sem dúvida, a qualidade. É a única forma em que nos podemos diferenciar.

Neste âmbito do turismo rural, que tipo de actividades te dão maior prazer?
Adoro a calma e a tranquilidade. É bom parar, ler um pouco, comer bem e simplesmente estar. E Portugal dá-me isso de vez em quando.

Raio-X
O seu retiro rural favorito: A Fazenda Nova, perto de Tavira
Um livro que levaria consigo a um destino rural: Europe at 186 miles per hour, do Tom Chesshyre (estou a ler presentemente e a adorar. Visitar a Europa em comboio)
Uma viagem que ficou na memória: A minha lua de mel, em que demos a volta ao mundo, com uma paragem longa no Tahiti. Moorea foi o sitio mais bonito em que estive.
Um colega cujo trabalho admiraCélia Pedroso em Portugal e a blogger Leah Walker.
A sua próxima viagem: Vou a Dublin este fim de semana, celebrar o meu 3º aniversário de casamento e dizer olá à Lady Gaga. De seguida vou a Girona por motivos profissionais, cidade que não conheço ainda… as estou a contar os dias até chegar a Miami, no início de Outubro.
Um prato favoritoAmeijoas à bulhão pato, salmonetes grelhados e sangria de espumante. Numa praia. Em Portugal – não preciso de mais nada!

 

“O mundo rural na sua imagem de produção agrícola está a desaparecer” Entrevista a Diogo Rodrigues

Hoje temos uma estreia. Iniciamos uma nova seção no blog: “Entrevistas TR“, realizadas a especialistas e profissionais do sector do turismo rural. Serão publicadas uma vez por mês e desta forma tentaremos contribuir com conteúdo e debates interesantes perante a situação atual. Sentimo-nos muito gratos por poder iniciar esta nova  seção com Diogo Rodrigues do site “Desafios da Adega”

Diogo Rodrigues - Desafios da AdegaDiogo Rodrigues e os seus sócios, Daniel Matos e Jorge Nunes, são os responsáveis pelos “Desafios da Adega”, um projeto que procura envolver cada vez mais pessoas nas adegas e vinhos portugueses para dar a conhecer de perto os distintos produtores locais.

Diogo está muito dedicado ao mundo online. Possui diversos blogs cuidadosamente atualizados, como por exemplo o seu blog dedicado a comentários sobre vinhos portugueses airdiogonumcopo.com ou o seu blog de notas pessoais airdiogo.com.

Além das visitas que proporcionam com o site Desafios da Adega igualmente possuem o Podcast da Adega, e como se não fosse suficiente,  têm ainda um site onde registam os melhores “ases do volante” em Portugal no Parvo a Estacionar.

Tendo em conta a sua relação com os espaços rurais e as suas visitas a diversas adegas em Portugal, quisemos entrevista-lo e ficar a conhecer qual a sua perspetiva para o enoturismo e o turismo rural.

Como surgiu a sua iniciativa? Que objetivos persegue?
Os Desafios da Adega surgem quase por acaso, à volta de uma mesa com uns petiscos e uns vinhos. O Jorge Nunes sugere que se comecem a organizar visitas a produtores de forma a dar a conhecer melhor o vinho feito em Portugal. Tanto eu como o Daniel Matos achámos boa ideia e foi a partir daí que tudo se desenvolveu.
Hoje em dia temos como objetivo dar a conhecer os pequenos produtores, principalmente projetos interessantes onde o vinho seja também uma paixão. Cada vez mais procuramos fugir do tradicional turismo rural e oferecer algo mais a quem faz as visitas connosco dando também uma oportunidade aos produtores de apresentarem os seus produtos a um grupo interessado, com forte presença nas redes sociais e com uma forte capacidade de influenciar dentro do seu grupo de amigos.

Quais são os maiores obstáculos com que se depara para promover este tipo de projetos?
O maior problema com que nos temos deparado são os produtores, em especial aqueles que não estão ainda conscientes que este tipo de iniciativas tem uma forte capacidade de promoção e divulgação das suas marcas. Há ainda a ideia que é no cobrar a visita que se ganha dinheiro, pedindo-se preços completamente desajustados da realidade e das características do grupo.
Temos tido também alguma dificuldade em chegar até certos produtores que têm projectos interessantes e que nos interessava conhecer, mas aos poucos vamos conseguindo estabelecer cada vez mais contactos.

Qual a importância do enoturismo no turismo rural?
Em Portugal o mundo rural, na sua imagem de produção agrícola está a desaparecer. Cada vez se produz menos em termos agrícolas e por outro lado a produção é cada vez mais industrializada e em grande escala (o que não é necessariamente uma coisa má). Mas assiste-se a um desaparecimento gradual do que se pode chamar o mundo rural. Felizmente existem cada vez mais pequenos projetos de produção, em que o enfoque é na qualidade e na produção de produtos através de métodos naturais.
Também no vinho se começa a assistir a esta tendência. E é neste segmento da pequena produção de qualidade que o enoturismo pode ser uma mais valia. Pode servir como um complemento aos projetos de produção agrícola e ao mesmo tempo ajudar à divulgação dos produtos. Cada vez mais as pessoas procuram um enoturismo de qualidade, não só nos aposentos e condições de hotelaria, mas também na oferta de todos os outros produtos a ele associados. Portugal sendo um país muito rico em tradições agrícolas e em produtos de cariz artesanal tem aqui uma forte vantagem. Isto tudo sempre com paisagens rurais que são de beleza incomparável.

Diogo Rodrigues dos Desafios da Adega Por Daniel Matos
O que falta ao turismo rural para poder contar com mais mercado interno?
Penso que neste momento o maior problema do mercado interno é a crise. As dificuldades económicas pelas quais Portugal passa estão a retirar o grande volume que o turismo rural poderia ter.
Mas a divulgação e falta de investimento são também um dos problemas. Apesar do já grande número de ofertas nesta área, o enoturismo em Portugal ainda está numa fase muito inicial, apresentando pouca variedade e por vezes com preços pouco competitivos comparados com outras ofertas existentes em Portugal (como a praia, por exemplo).

Das visitas que fizeram às quintas e adegas Portuguesas, qual a percentagem de projetos que possuem alojamento?
Até agora das 10 visitas que fizemos a Adegas nenhuma delas possuía alojamento próprio. Várias tinham perto locais de turismo rural ou alojamento tradicional. No entanto há também que frisar que essa condição nunca foi tida em conta na escolha do local a visitar.

Há interesse em diversificar as atividades das adegas para atender à demanda de alojamentos em áreas rurais?
O negócio principal das adegas deve manter-se na área da produção do vinho. Isso não significa que não se possa aproveitar a oportunidade para aos poucos entrar em outras áreas de negócio. O alojamento rural pode funcionar para alguns produtores, dependendo da sua localização, ser uma dessas alternativas. Não me parece que seja solução para todos. Também a colaboração entre vários produtores poderia ser benéfica e ajudar a construir uma oferta de qualidade superior.

Raio-X
O seu retiro rural favorito
: Ribatejo
Um livro que levaria consigo a um destino rural: Costumo ler pouco livros, mas levava sempre o iPad para ler os vários blogs que sigo.
Uma viagem que ficou na memória: Uma visita à Serra da Estrela durante a páscoa, com neve e bons amigos.
Um colega cujo trabalho admira: Admiro bastante o trabalho que o André Ribeirinho (do Adegga.com) tem vindo a desenvolver, tanto pela qualidade como pela persistência e visão que tem.
A sua próxima viagem: Uma viagem a França para conhecer várias regiões vitivinícolas. Ainda é só um projeto para daqui a uns anos.
Um prato favorito: Bacalhau cozido com grão, batatas, couves e ovo cozido. Regado com muito azeite.

Para aqueles que pretendem saber mais sobre esta iniciativa, os Desafios da Adega podem ser seguidos através do Facebook ou Twitter. Para seguir o Diogo, a recomendação é através do twitter onde é muito mais ativo.

A “Europa em 80 dias” passa por Portugal

Ana Isabel Aranda e Juan Manuel Alfonzo, os dois jornalistas que há pouco mais de uma semana começaram a percorrer a Europa em 80 dias, enviaram-nos os seus relatos referentes à sua passagem por Portugal.

Com muito orgulho nos excelentes comentários que fizeram relativamente ao nosso País,  deixamos uma breve narrativa sobre esta sua experiência:

Herdade da Matinha: muito mais que arte

Estamos no coração do Cercal do Alentejo, na Herdade da Matinha, uma casa campestre única, incluída na rede da Toprural em Portugal.

A Herdade da Matinha é uma casa rural que combina com justa medida o bom gosto, o estilo fresco e o natural. As cores brilhantes impregnadas na tela misturam-se com os espaços abertos, o branco e o azul céu, tal e qual como uma galeria de arte num ambiente de descanso para todos os sentidos.

Paula recebe-nos no terraço da entrada com um sorriso e acolhe-nos como se nos conhecesse desde sempre. Convida-nos a entrar para um espaço translúcido onde muito cordialmente somos recebidos por Mónica e Alfredo, os criadores deste oásis situado bem a sul de Lisboa.

A Herdade da Matinha dá-nos os bons dias com um pequeno-almoço caseiro. O pão, os queijos de diferentes tipos e sabores, passando às marmeladas e aos sumos feitos nesta terra com ingredientes naturais e muita boa energia.

Já com a luz do dia pode-se admirar melhor os detalhes naturais, que transformam esta propriedade em algo simplesmente maravilhoso.

O conforto das habitações desenhadas com materiais naturais permite um descanso perfeito, debaixo de um manto de estrelas impossíveis de serem observadas nas cidades.

Plenos de alegria e nostalgia, que não é mais do que saudade, dirigimo-nos a Lisboa para vermos o cair da tarde na companhia de Luís Chaves, o Diretor da Rede Portuguesa de Desenvolvimento Rural.

A nossa experiência não poderia ter começado melhor.

Regresso ao passado na Quinta do Gatão

A Quinta de Gatão é um conjunto de casas plenas de história, possui uma capela que parece saída de um livro de Umberto Eco ou de Dan Brown, uma cavalariça para os amantes da equitação e todas as condições para aqueles que prefiram banhar-se na sua piscina, ou para os apaixonados pelo ténis, o bilhar e dos jogos de mesa.

Jorge, o proprietário da Quinta de Gatão veio ter connosco à portagem à saída de Recezinhos e entre campos, vinhas e flores para nossa surpresa, recebe-nos com um cálice de vinho do porto, uma reserva especial delicadamente engarrafada e sem rótulo.

Jorge explica-nos que nesta região produz-se o chamado vinho verde que deve o seu nome à imagem que se observa do alto das vinhas tal qual como teares cuidadosamente tecidos. Igualmente nos demonstra a sua gratidão para com a Toprural. Comenta que o número de hóspedes aumentou desde que se aliou a estes amantes do turismo rural.

Entramos na casa que o Jorge nos preparou. A entrada recebe-nos com uma cozinha em pedra, como as que se usavam quando a lenha cozinhava a fogo lento os guisados que sabiam a glória e que no Inverno convida a escutar o crepitar da madeira junto à sua chaminé. Uma maravilhosa surpresa, que nos faz sentir como se entrássemos num espaço sem tempo, onde o relógio parou há muito.

Chegou o momento de partirmos desta lindíssima casa rural e antes de sairmos o Jorge despede-se de nós com muitos abraços e recordações para a Toprural.

Dirigimo-nos então a Sabrosa, na região do Alto Douro, uma zona vitivinícola onde se produz a uva que dá origem ao vinho do Porto e visitamos a adega Avessada, um dos projetos mais conceituados de LEADER na zona.

A nossa experiência em terra portuguesa foi magnífica.

Tendo como referência duas casas rurais, uma situada na zona do Alentejo e a 50km do Algarve, a Herdade da Matinha e a outra na zona do Alto Douro, a Quinta de Gatão, experimentamos o rural entendido como imersão no coração da natureza da inovação e tradição, perfeitamente combinadas para se adaptarem à vida moderna.

Portugal oferece ao turista que procura reencontrar-se consigo no meio da natureza, um perfil agreste pleno de ar puro e uma oferta de casas rurais para todos os gostos e com um estilo próprio.

Um conselho para os viajantes que pretendam descobrir o Portugal mais rural é terem impresso uma rota de acesso para evitarem trajetos desnecessários e inclusive perderem-se nas estradas secundárias.

Se pretende seguir a restante viagem através da Europa, pode faze-lo no blog “Europa en 80 dias“.