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Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo – Série Reservas Naturais

A equipa do Toprural PT foi, este último fim de semana, passear até à Serra da Arrábida, onde se encontra o Portinho (uma das 7 Maravilhas Rurais). Voltámos com vontade de continuar a nossa Série Reservas Naturais, e desta vez decidimos escrever sobre a Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo.

Este espaço natural com cerca de 4900 hectares fica no norte do país, perto de Macedo de Cavaleiros (Bragança). O nome vem do rio Azibo (com 50 km), um afluente do rio Sabor, onde desagua.

É perto deste concelho que encontramos o primeiro ponto de interesse: a Barragem do Azibo. Inseridas numa zona de grande riqueza geológica (a do Maciço de Morais), encontramos as duas praias fluviais da zona: a Praia da Ribeira e a Praia da Fraga da Pegada (à qual é atribuída, consecutivamente e desde 2004, a Bandeira Azul, caso raro na Europa).

Praia do Azibo (foto de Hugo Cadavez - Wikimedia Commons)

A variedade da fauna e flora é notória. Peixes, répteis, anfíbios, aves (é uma zona propícia para observação, sobretudo da cegonha branca) e mamíferos (como javalis e raposas) conduzem as suas vidas entre galerias ribeirinhas, orquídeas e outros tipos de árvores e plantas.

A barragem é também uma zona de pesca, sobretudo de espécies como a carpa ou a perca, além de ser um espaço ideal para caminhadas: para ver alguns trilhos, clique aqui. É verdade que em muitas reservas, parques ou paisagens protegidas o acesso é reduzido (ou mesmo interdito). No entanto, a Albufeira do Azibo permite por um lado desfrutar de um ambiente sossegado, e por outro de um clima característico de férias em família, graças às praias fluviais. As crianças vão agradecer!

Se já visitou este espaço natural com praias fluviais tão a norte do país, partilhe a sua experiência nos comentários abaixo!

Destinos rurais: os berços de 5 personagens célebres de Portugal

Estávamos a recapitular os vários concursos Toprural que já fizemos e recordámos um deles que tinha a ver com celebridades portuguesas. Isto fez-nos pensar: “que personagens históricas conhecidas terão nascido no mundo rural?

Foi assim que decidimos ir à procura de 5 zonas rurais que tenham visto nascer personagens famosas da História contemporânea nacional. Estas terras são o berço de figuras ligadas às artes e símbolos de perseverança, coragem e indiscutível talento. Um passeio rural baseado nas origens geográficas destes nomes incontornáveis poderá ser uma experiência interessante. Comecemos!

José Saramago (foto: Elisa Cabot, Flickr)
José Saramago (16/11/1922 – 18/06/2010)
O carismático e controverso escritor português (entre outras ocupações como argumentista, ensaísta, poeta e jornalista) nasceu na aldeia de Azinhaga (Golegã, Santarém). Recebeu em 1995 o Prémio Camões (o maior prémio literário da língua portuguesa) e, 3 anos mais tarde, o Prémio Nobel da Literatura. Foi o principal difusor da prosa em português a nível internacional, e vários livros seus foram até adaptados ao cinema (como “Ensaio sobre a Cegueira“). O seu funeral (faleceu vítima de leucemia crónica), em Lisboa, teve honras de Estado.


Amadeo de Souza-Cardoso (14/11/1887 – 25/10/1918)
Pintor importantíssimo nascido em Manhufe (freguesia de Mancelos), no concelho de Amarante. Figura incontornável da arte portuguesa, pertenceu à primeira corrente do Modernismo luso. Viveu 8 anos em Paris (partiu com 19), tornando-se amigo de artistas como Modigliani e conhecendo figuras como Picasso, Gaudi, Chagall, entre muitos outros. Expôs ainda em Londres e nos Estados Unidos. Faleceu jovem (com 30 anos), vítima da gripe pneumónica de 1918.

Sacadura Cabral (foto de autor desconhecido)
Sacadura Cabral (23/05/1881 – 15/11/1924)
Artur de Sacadura Freire Cabral, destemido aviador e oficial da Marinha Portuguesa que, juntamente com Gago Coutinho, realizou a primeira travessia aérea do Atlântico Sul em 1922, nasceu em Celorico da Beira (Guarda). Serviu na Primeira Grande Guerra e, além de significativas contribuições científicas no campo da aeronáutica, foi um piloto que se distinguiu mundialmente pela sua coragem e inteligência. Faleceu em 1924 num voo de Amsterdão para Lisboa, despenhando-se no Mar do Norte.

Florbela Espanca (foto de autor desconhecido)
Florbela Espanca (08/12/1894 – 08/12/1930)
Flor Bela de Alma da Conceição Espanca nasceu em Vila Viçosa (Évora) e é considerada uma das maiores poetisas nacionais. Viveu 36 anos intensos, e transformou os mais angustiantes sofrimentos pessoais numa obra singular (não apenas poética, tendo também publicado prosa, como por exemplo “As Máscaras do Destino“). Tragicamente, após várias tentativas de suicídio e o diagnóstico de um edema pulmonar, Florbela faleceu por ingestão de barbitúricos, em 1930.


António Variações
 (03/12/1944 – 13/06/1984)
Nascido em Lugar de Pilar (Amares, Braga), tornou-se uma das figuras mais importantes da música pop nacional. Fez serviço militar em Angola e mais tarde passou por Londres e Amsterdão, onde aprendeu a profissão de barbeiro. No final dos anos 70 assinou com a Valentim de Carvalho, dando início a gravações de pouco mas influente material (como “O corpo é que paga“). Caracterizado pela excentricidade visual (pelo menos para a época) e uma lírica única, rapidamente se converteu num sucesso. Viria, no entanto, a falecer em 1984, vítima de uma broncopneumonia.

São os nossos ilustres destas terras que até hoje os recordam: uns mais controversos do que outros, qualquer um destes cinco nomes é sem dúvida um ilustre influente de toda uma forma de pensar e agir do Portugal moderno.

Se conhece outras figuras célebres da História de Portugal contemporânea que tenham nascido em ambiente rural, partilhe nos comentários abaixo!

Viagem no tempo: 12 Feiras Medievais em Portugal

Portugal está repleto de eventos culturais interessantes no Verão e desta vez aproximámos a nossa lupa de fantásticas celebrações históricas: as feiras medievais! Se não sabe o que é uma feira medieval, vamos explicar de seguida. Se não conhece nenhuma, vamos dar-lhe sugestões. E se nunca lhe interessou visitar uma, esperamos mesmo que mude de ideias no final deste artigo! Todos os anos e por todos os distritos do país, as populações juntam-se nestes festivais para celebrar a música, gastronomia, artes e demais tradições de outros séculos. Basicamente o principal objectivo, além do lúdico, é tentar recriar ao máximo o ambiente histórico de uma feira de época medieval portuguesa. E se visitarmos uma feira medieval, não há melhor lugar onde pernoitar do que um alojamento rural. Assim sendo, fomos do Minho ao Algarve para lhe sugerir 12 feiras e mercados medievais de Portugal a não perder em 2013: É frequente ver personagens da época (isto é, actores vestidos a rigor) a passear por cenários que são autênticas reconstituições, dançando ao som de ritmos seculares, cozinheiras a preparar o almoço à moda medieval… e não se espante se tiver de comer com as mãos! No Norte do país há pelo menos dois festivais importantes:

Nestas feiras é também frequente que se exponham e comercializem mercadorias tais como alimentos/especiarias, vestuário e artesanato, por exemplo. Assim, a zona do Centro (incluindo Lisboa e Vale do Tejo) também está repleta de festivais medievais importantes a não perder:

Duelostrovadores afinados ou verdadeiros mini-festivais de gastronomia tradicional são também eventos habituais. E o seu plano for viajar mais para sul, até ao Alentejo ou Algarve, marcámos quatro feiras medievais:

Se está a (ou quer) planear uma viagem diferente este ano, aproveite a nossa sugestão e visite uma ou mais destas feiras medievais. E, como é habitual, tem sempre a nossa secção de comentários abaixo para partilhar a sua experiência e/ou recomendar outros festivais medievais lusos!

Viajando pela Rota do Sal

O que seria da nossa vida sem sal? Nada! Outrora bastante valorizado pelo Homem, foi tido como moeda de troca (daí o termo “salário”) e utilizado até nas mumificações egípcias!

O sal marinho (que utilizamos em diversas áreas, sobretudo na culinária) nasce da evaporação da água do mar e difere do sal de mesa no sentido em que este, também apelidado sal de rocha, é obtido a partir de minas subterrâneas. Regra geral, o sal obtido a partir de métodos artesanais possui menos cloreto de sódio do que o produzido industrialmente, conservando elementos como o magnésio e potássio.

Portugal sempre foi conhecido pela produção de sal, apesar da diminuição da decrescente competitividade das tradicionais salinas (área onde se produz sal através da evaporação da água do mar, ou de lagos de água salgada), ao longo das décadas, face aos processos industriais, mais competitivos.

Com o passar dos séculos, o nosso litoral foi sofrendo alterações naturais, fazendo com que muitos centros de produção salina tenham desaparecido. No entanto, algumas zonas permaneceram centros de produção de sal até aos dias de hoje. Descubramos assim cinco salinas importantes em Portugal.


Salinas de AveiroDistrito de Aveiro
Entrando em Aveiro perto das praias, o canal de S. Roque mostra ainda os antigos palheiros de armazenamento convertidos em restaurantes e bares. A autarquia possui um pequeno ecomuseu do sal.


Salinas da Figueira da FozDistrito de Coimbra
Estão situadas na ilha da Murraceira, no leito do rio Mondego. Ou melhor, estavam. Com o gradual abandono desta actividade na Figueira da Foz, o espaço foi reconvertido para aquacultura. No entanto, ainda é mais do que merecedor de uma visita, não se podendo perder belas áreas de produção como o Corredor da Cobra.


Salinas do TejoDistrito de Lisboa
Perto de Alcochete há poucas salinas activas, como a Salina do Brito e as do Samouco (410 hectares). Embora o acesso possa estar interdito a grande parte da área, a verdade é que podemos observar a importância das salinas na preservação da biodiversidade da fauna local.


Salinas do Sado – Setúbal
A actividade praticamente desapareceu no estuário do Sado. Actualmente podemos observar vastas áreas de salinas abandonadas e talvez alguns montes de sal. Mais para os lados de Setúbal poderá visitar a Salina da Marinha Nova. Do lado de Tróia, tem oportunidade de visitar a Torrinha: aqui ainda está um grande complexo com as maiores salinas do Sado.


Salinas do Algarveregião do Algarve
Aqui há três salinas importantes: Olhão (no Parque Natural da Ria Formosa), Tavira e Castro Marim. Foi no Algarve que se deu alguma atenção ao tipo de flora existente nas salinas, constituindo uma via potencial de desenvolvimento económico da região.

A salina enquanto zona de extracção/produção de sal constitui ainda hoje, para parte da população, uma actividade económica importante. No entanto, algo inseparável destes admiráveis marcos de tradição e qualidade produtiva nacional é o seu papel importante na preservação da fauna e flora.

Se quiser partilhar a sua experiência ao visitar estas zonas de Portugal, escreva-nos através da secção de comentários abaixo.

Barca d’Alva: caminho de aventureiros no distrito da Guarda

Barca d’Alva pertence ao concelho de Figueira de Castelo Rodrigo e faz parte do Parque Natural do Douro Internacional. Vamos apresentar hoje um roteiro para os mais aventureiros: a travessia de uma linha férrea abandonada. Algo como 17 km de linha férrea e que inclui cerca de 20 túneis e 13 pontes. Se tem vertigens e pavor de morcegos, tenha cuidado!

Foi aqui que, em 1887, se terminou a Linha do Douro e a ligação a La Fregeneda (Espanha), ligação internacional dos caminhos de ferro portugueses que viria a ser perdida com o encerramento da linha em 1985 (o último comboio apitou em 1988). Consequentemente, a estação tornou-se um lugar abandonado… mas não menos digno de visita. Assim, é através da ponte ferroviária Almirante Sarmento Rodrigues que podemos ainda percorrer o último trajecto entre território nacional e espanhol.

Por curiosidade, esta linha foi também cenário da obra literária “A Cidade e as Serras” de Eça de Queiroz: nela viajou a personagem central Jacinto, no seu regresso a Tormes em Trás-os-Montes. Foi (e ainda é) uma verdadeira obra de engenharia que se estende ao longo de 77 quilómetros até alcançar La Fuente de San Esteban, em Espanha.

Alguns lugares de interesse da estação são a plataforma giratória, o velho depósito de água, o gabinete do chefe de estação e as antigas portas do complexo, com as suas legendas escritas na própria pedra.

Esta zona do distrito da Guarda é também um bom lugar para a observação de aves em Portugal, destacando-se o abutre do Egipto e a águia-real, entre outras. E de acordo com a página Aves de Portugal, a Primavera é a melhor época para esta visita.

Assim, se procura um pouco de aventura em Portugal, esta é das melhores experiências que o nosso país tem para oferecer, além de ser uma boa “desculpa” para passear até ao país vizinho.

E no caso de já ter percorrido a linha de Barca d’Alva, partilhe a sua experiência nos comentários abaixo!