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“O mundo rural na sua imagem de produção agrícola está a desaparecer” Entrevista a Diogo Rodrigues

Hoje temos uma estreia. Iniciamos uma nova seção no blog: “Entrevistas TR“, realizadas a especialistas e profissionais do sector do turismo rural. Serão publicadas uma vez por mês e desta forma tentaremos contribuir com conteúdo e debates interesantes perante a situação atual. Sentimo-nos muito gratos por poder iniciar esta nova  seção com Diogo Rodrigues do site “Desafios da Adega”

Diogo Rodrigues - Desafios da AdegaDiogo Rodrigues e os seus sócios, Daniel Matos e Jorge Nunes, são os responsáveis pelos “Desafios da Adega”, um projeto que procura envolver cada vez mais pessoas nas adegas e vinhos portugueses para dar a conhecer de perto os distintos produtores locais.

Diogo está muito dedicado ao mundo online. Possui diversos blogs cuidadosamente atualizados, como por exemplo o seu blog dedicado a comentários sobre vinhos portugueses airdiogonumcopo.com ou o seu blog de notas pessoais airdiogo.com.

Além das visitas que proporcionam com o site Desafios da Adega igualmente possuem o Podcast da Adega, e como se não fosse suficiente,  têm ainda um site onde registam os melhores “ases do volante” em Portugal no Parvo a Estacionar.

Tendo em conta a sua relação com os espaços rurais e as suas visitas a diversas adegas em Portugal, quisemos entrevista-lo e ficar a conhecer qual a sua perspetiva para o enoturismo e o turismo rural.

Como surgiu a sua iniciativa? Que objetivos persegue?
Os Desafios da Adega surgem quase por acaso, à volta de uma mesa com uns petiscos e uns vinhos. O Jorge Nunes sugere que se comecem a organizar visitas a produtores de forma a dar a conhecer melhor o vinho feito em Portugal. Tanto eu como o Daniel Matos achámos boa ideia e foi a partir daí que tudo se desenvolveu.
Hoje em dia temos como objetivo dar a conhecer os pequenos produtores, principalmente projetos interessantes onde o vinho seja também uma paixão. Cada vez mais procuramos fugir do tradicional turismo rural e oferecer algo mais a quem faz as visitas connosco dando também uma oportunidade aos produtores de apresentarem os seus produtos a um grupo interessado, com forte presença nas redes sociais e com uma forte capacidade de influenciar dentro do seu grupo de amigos.

Quais são os maiores obstáculos com que se depara para promover este tipo de projetos?
O maior problema com que nos temos deparado são os produtores, em especial aqueles que não estão ainda conscientes que este tipo de iniciativas tem uma forte capacidade de promoção e divulgação das suas marcas. Há ainda a ideia que é no cobrar a visita que se ganha dinheiro, pedindo-se preços completamente desajustados da realidade e das características do grupo.
Temos tido também alguma dificuldade em chegar até certos produtores que têm projectos interessantes e que nos interessava conhecer, mas aos poucos vamos conseguindo estabelecer cada vez mais contactos.

Qual a importância do enoturismo no turismo rural?
Em Portugal o mundo rural, na sua imagem de produção agrícola está a desaparecer. Cada vez se produz menos em termos agrícolas e por outro lado a produção é cada vez mais industrializada e em grande escala (o que não é necessariamente uma coisa má). Mas assiste-se a um desaparecimento gradual do que se pode chamar o mundo rural. Felizmente existem cada vez mais pequenos projetos de produção, em que o enfoque é na qualidade e na produção de produtos através de métodos naturais.
Também no vinho se começa a assistir a esta tendência. E é neste segmento da pequena produção de qualidade que o enoturismo pode ser uma mais valia. Pode servir como um complemento aos projetos de produção agrícola e ao mesmo tempo ajudar à divulgação dos produtos. Cada vez mais as pessoas procuram um enoturismo de qualidade, não só nos aposentos e condições de hotelaria, mas também na oferta de todos os outros produtos a ele associados. Portugal sendo um país muito rico em tradições agrícolas e em produtos de cariz artesanal tem aqui uma forte vantagem. Isto tudo sempre com paisagens rurais que são de beleza incomparável.

Diogo Rodrigues dos Desafios da Adega Por Daniel Matos
O que falta ao turismo rural para poder contar com mais mercado interno?
Penso que neste momento o maior problema do mercado interno é a crise. As dificuldades económicas pelas quais Portugal passa estão a retirar o grande volume que o turismo rural poderia ter.
Mas a divulgação e falta de investimento são também um dos problemas. Apesar do já grande número de ofertas nesta área, o enoturismo em Portugal ainda está numa fase muito inicial, apresentando pouca variedade e por vezes com preços pouco competitivos comparados com outras ofertas existentes em Portugal (como a praia, por exemplo).

Das visitas que fizeram às quintas e adegas Portuguesas, qual a percentagem de projetos que possuem alojamento?
Até agora das 10 visitas que fizemos a Adegas nenhuma delas possuía alojamento próprio. Várias tinham perto locais de turismo rural ou alojamento tradicional. No entanto há também que frisar que essa condição nunca foi tida em conta na escolha do local a visitar.

Há interesse em diversificar as atividades das adegas para atender à demanda de alojamentos em áreas rurais?
O negócio principal das adegas deve manter-se na área da produção do vinho. Isso não significa que não se possa aproveitar a oportunidade para aos poucos entrar em outras áreas de negócio. O alojamento rural pode funcionar para alguns produtores, dependendo da sua localização, ser uma dessas alternativas. Não me parece que seja solução para todos. Também a colaboração entre vários produtores poderia ser benéfica e ajudar a construir uma oferta de qualidade superior.

Raio-X
O seu retiro rural favorito
: Ribatejo
Um livro que levaria consigo a um destino rural: Costumo ler pouco livros, mas levava sempre o iPad para ler os vários blogs que sigo.
Uma viagem que ficou na memória: Uma visita à Serra da Estrela durante a páscoa, com neve e bons amigos.
Um colega cujo trabalho admira: Admiro bastante o trabalho que o André Ribeirinho (do Adegga.com) tem vindo a desenvolver, tanto pela qualidade como pela persistência e visão que tem.
A sua próxima viagem: Uma viagem a França para conhecer várias regiões vitivinícolas. Ainda é só um projeto para daqui a uns anos.
Um prato favorito: Bacalhau cozido com grão, batatas, couves e ovo cozido. Regado com muito azeite.

Para aqueles que pretendem saber mais sobre esta iniciativa, os Desafios da Adega podem ser seguidos através do Facebook ou Twitter. Para seguir o Diogo, a recomendação é através do twitter onde é muito mais ativo.

Casas rurais com actividades em terra

Um dos pontos fortes da pesquisa Toprural é o facto de conseguir encontrar, de forma rápida, casas rurais com diferentes características. Neste caso, falamos-lhe das casas rurais com actividades em terra.

Bicicletas de Montanha | Foto de Fontela01

Depois de aqui termos falados de actividades na água e no ar, agora as actividades em terra. A primeira é o airsoft, jogo onde se pretendem fazer simulações de ataques militares, com réplicas de armas de fogo. Na mesma óptica, tem também actividades de paintball, onde as armas utilizadas disparam bolas de tinta. E, no campo de “disparar”, tem também casas rurais onde é possível fazer tiro ao alvo.

Relacionados com as alturas, tem também casas com actividades como o alpinismo, que consiste na prática de subida de montanhas através de caminha ou escalada. E por falar nisso, há casas onde é possível fazer a escalada, técnica de subida de um parede rochosa ou muro próprio para esse efeito. Ainda no tema de montanha, existem também muitas outras casas onde é possível andar de  bicicleta de montanha, se bem que os percursos não terão, necessariamente, que ser para praticantes experientes.

Existem também actividades que são mais consensuais ao nível do desporto, como o golfe e o ténis, para ter assim umas relaxantes e, ao mesmo tempo, competitivas partidas.

Se, mesmo assim, nenhuma das actividades anteriores for do seu agrado, tem ainda outras como enoturismoespeleologiapuenting e bungee-jumping, e ski. Existem ainda mais, mas que deixamos para você descobrir.

Tudo isto é agora possível graças aos nossos filtros de Actividades. Disponível, depois de pesquisar uma região, no lado esquerdo da página Toprural, pode seleccionar actividades TerraArÁgua (ou seja, o meio onde decorrem) e também Workshops.

Boa viagem e tenha boa estadia!

Casas rurais para enoturismo

Agora que estamos em época de vindimas, pensámos em dar-lhe sugestões relacionadas com esse nectar que é o vinho. Se o pensámos, logo o fizemos, e deixamos-lhe aqui algumas sugestões de casas Toprural onde pode ‘dedicar-se’ ao enoturismo.

Vindimadores | Foto de Feliciano GuimarãesÉ a bebida que tem acompanhado a humanidade, havendo registos que apontam a sua origem a 6 mil anos a.C. Tão importante é que, desde sempre, é utilizado por religiões como elemento importante nas celebrações. De facto, que outra bebida se pode orgulhar de ter tido um deus, como é o caso de Baco (deus romano) ou Dionísio (deus grego)?

Fique com algumas sugestões de casas rurais onde o vinho tem um papel importante, podendo aí desfrutar de uma experiência de enoturismo.

Casa da QuintãFolhada, Porto
Situada no Vale do Rio Ovelha, entre o Douro Litoral e Trás-os-Montes, a Casa da Quintã, cuja construção inicial remonta aos finais do séc. XVIII, oferece um ambiente único de calma e bem estar.

Água d’Alte – Redondo, Évora
Localizada no sopé da Serra d´Ossa, à entrada da Aldeia da Serra, a propriedade deve o seu nome às grandes quantidades de água que, sobretudo no Inverno, desce pela encosta.

Quinta do CovancoAlenquer, Lisboa
À entrada de Alenquer, a Quinta do Covanco tem origens no século XIX. Por aqui pode degustar alguns dos melhores vinhos do país na Rota do Vinho.

Casa da Quinta da OliveiraVale de Cambra, Aveiro
Casa inserida numa quinta de vinho verde, fica situada junto à Reserva Natural da Serra da Freita e quedas de água da Mizarela e Cabreia.

Casa dos CabreirosRoussas, Viana do Castelo
Plenamente integrada na vida rural do Alto Minho, fica situada numa exploração de vinho Alvarinho, de produção biológica.

Retiro da Avó LídiaMendiga, Leiria
Situada em pleno Parque Natural Serra Daire e Candeeiros, o Retiro da Avó Lídia promove, através de actividades organizadas, o contacto com as tradições e o património arquitectónico e natural da região.

Se nas casas anteriores ainda não está o que procura, pode sempre realizar uma pesquisa por enoturismo no menu da esquerda, nas Actividades  – Terra.

Boa viagem!

Barcos rabelos, Douro e vinhas

O barco rabelo simboliza a força e o sacrifício dos homens do Douro, numa época em que a navegação pela barra do Douro era uma verdadeira odisseia. É o símbolo heráldico da região duriense.

Este é um barco de rio de montanha, com fundo chato, tendo como leme uma peça comprida e grossa em forma de pá ou remo, quase do seu tamanho, a que se dá o nome de espadela. É o tipo de barco apropriado para navegar em águas pouco profundas, sendo de salientar o seu comportamento nas zonas de fortes rápidos. O nome rabelo deriva da configuração do barco, com a sua imensa espadela, em forma de rabo.

É impossível separar, historicamente, a navegação do Douro do comércio a que os ingleses chamariam Port Wine e do seu primeiro meio de transporte, o barco rabelo.

Ao descer o rio, os rabelos traziam o vinho do Douro. Constituíam, no passado, senão o único meio de transporte entre o Porto e as terras de riba-Douro, pelo menos o mais acessível.
Actualmente, com uma actividade diferente, os rabelos são utilizados em regatas, passeios no rio Douro (alguns organizados pela empresa turística Douro Azul) e outras iniciativas para recordar os seus tempos de glória.

Temos assim a oportunidade de percorrer a Região Demarcada do Douro e conhecer as chamadas Rotas do Vinho, que fazem desta região de Portugal um dos pontos mais atractivos para o turismo, podendo assim misturar o Turismo Vitivinicola com o Turismo Rural. Ao longo do percurso poderemos visitar diferentes localidades como Moimenta da Beira e disfrutar da Rota das Vinhas de Cister, Peso da Régua, etc…

Venha conhecer a Região do Douro!

Mais informação:

Douro Turismo

Os barcos rabelos

Itziar Fernández