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Os inevitáveis incêndios

Mais uma vez, e tal como acontece todos os Verões, os incêndios florestais voltam a assolar Portugal.

Segundo dados da Autoridade Florestal Nacional, arderam em Julho deste ano 15890 hectares, resultado de 5308 incêndios. Ou seja, o pior mês de Julho dos últimos 5 anos.

A região mais afectada no passado mês foi o distrito de Aveiro, com dois fogos, em São Miguel do Mato e Branca, a destruírem, respectivamente, 2524 e 993 hectares de floresta e mato. O distrito de Viana do Castelo também teve a sua infeliz cicatriz cinzenta do fogo, com 519 hectares ardidos em Cerdal, e 819 na zona de Arga. Neste triste pódio encontramos na terceira posição o fogo que na Comporta, distrito de Setúbal, consumiu 1329 hectares.

O que nos deixa apreensivos é o facto de ainda termos muito calor pela frente durante este ano, pelo que as probabilidades de incêndios são ainda grandes. Resta tentar passar a mensagem da prevenção, de forma a que estes cenários se repitam o menos possível.

Se morar perto de uma área florestal:

  • Limpe a vegetação que possa existir à volta da sua casa;
  • Guarde em lugar seguro e isolado os produtos inflamáveis, como lenha ou gasóleo;
  • Evite colocar velas ou candeeiros a petróleo junto a material inflamável, como madeira ou papel;
  • Não deixe crianças sozinhas em casa, nem deixe fósforos ou isqueiros ao seu alcance;
  • Mantenha sempre em casa um extintor ou outros objectos que possam auxiliar na extinção de uma um foco de incêndio, como uma mangueira, enxadas ou pás.

Na floresta:

  • Não deite fósforos ou cigarros para o chão;
  • Não deixe lixo na floresta;
  • Não faça lume em locais não aconselhados;
  • Nunca faça fogueiras em dias de muito vento, mesmo sendo em locais aconselhados;
  • É proibido realizar queimadas durante o período crítico do Verão;
  • É proibido o lançamento de foguetes durante o mesmo período.

Em caso de incêndio:

  • Avise as autoridades e bombeiros;
  • Se não correr perigo, tente extinguir com pás, ramos ou água. Mas, atenção, só se não representar perigo para si;
  • Não tente ajudar os bombeiros se eles não lho pedirem, uma vez que pode atrapalhar mais do que propriamente ajudar.

Se o fogo estiver perto de si ou da sua casa:

  • Avise os vizinhos;
  • Corte o abastecimento de gás e electricidade;
  • Molhe as paredes e arbustos que rodeiam a casa;
  • Solte os animais;
  • Não tente recolher objectos pessoais em casa se isso representar algum risco;
  • Obedeça às autoridades, mesmo se aconselharem a evacuação e isto signifique deixar a casa para trás;
  • Vá em direcção contrária à do vento;
  • Refugie-se numa zona com água ou com pouca vegetação.

Consequências dos incêndios:

Não é só a paisagem que se altera para tons de cinzento. Existem muitas outras graves consequências decorrentes dos incêndios:

  • Erosão do solo;
  • Alterações climáticas;
  • Problemas no escoamento das águas;
  • Diminuição da renovação do oxigénio do ar;
  • Empobrecimento da diversidade da flora e da fauna.

Estes conselhos tentam mudar um pouco a tendência, mas é algo difícil quando se sabe que cerca de um terço dos fogos começa entre as 20h e as 8h. Ou seja, através de mão criminosa. Para estes não há, infelizmente, conselhos que resultem…

Portugal queima-se

Com a chegada das altas temperaturas Portugal tem sido mais uma vez “alvo” das chamas.

Os dados, disponíveis na página da Internet da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), referem que entre 1 de Janeiro e 15 de Julho de 2008 arderam 4.685 hectares entre povoamentos (1.325) e matos (3.360), o que representa um aumento de 52% face a período idêntico do ano passado, quando arderam 2.213 hectares.

Os distritos de Braga e Bragança são os que registaram, este ano, maiores valores de área ardida. Até 15 de Julho, verificam-se nos distritos de Braga (939 hectares) e Bragança (907), enquanto o maior número de incêndios florestais ocorreu em Vila Real e Braga (com 167 e 161 ocorrências, respectivamente).

O mês de Agosto está no topo das prioridades relativamente ao risco de incêndio.

Para prevenir o aumento da área queimada a Protecção Civil vai reforçar os meios, mas é necessário estar cientes da repercusão que os efeitos dos incêndios tem nas nossas vidas. A floresta é abrigo de fauna e flora, mas é também a fonte de vida de todos nós, e principalmente daquelas pessoas que escolheram a natureza, longe de grandes cidades, como meio de sustento e forma de vida.

É nosso objectivo com este artigo sensibilizar as pessoas e entidades responsáveis para evitar que isto continue a acontecer.

Mais informações: Correio da Manhã, Público

Itziar Fernández