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Parque Nacional da Peneda – Gerês – Série Serras de Portugal

Esta série falará sobre as belezas naturais das Serras de Portugal Continental, bem como das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores.

Situado no nordeste do Minho, o Parque Nacional da Peneda- Gerês, também conhecido como conjunto serrano da Peneda-Gerês, possui todo o seu raro património numa extensão única de serras localizada entre a Serra da Peneda e a Serra do Gerês.

A região é rica em belezas naturais e o seu ecoturismo apresenta as mais diversificadas espécies de fauna e flora que encantam os amantes da natureza e deixam um desejo de ali voltar. Próximo da fronteira espanhola, o Parque é composto por um grande conjunto de serras, montanhas e picos, tal como o Pico da Nervosa que é o ponto mais alto da Serra do Gerês e é considerado o segundo mais elevado de Portugal Continental com altitudes que chegam aos 1.546 metros.

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A Serra de Soajo, que faz parte do sistema montanhoso da Peneda-Gerês, é umas das mais notáveis de Portugal Continental com 1.416 metros de altitude. Situada no Alto Minho, é revestida por pequenas vilas rústicas que estão interligadas por vários percursos e trilhos que se podem encontrar pela serra.

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A Serra Amarela, com toda a sua extensão entre a Serra do Gerês e a Serra do Soajo, localiza-se entre os concelhos de Ponte da Barca e Terras de Bouro. Tem este nome devido à sua vegetação, maioritariamente rasteira, ser amarelada. O visitante poderá apreciar os seus locais de tranquilidade serrana, tais como os seus vilarejos ou simplesmente a maravilhosa vista panorâmica a 1.362 metros de altitude.

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A Serra d’Arga é conhecida por ter origem em afloramentos graníticos que fazem com que as rochas aqui existentes sejam nitidamente reconhecidas como pertencentes a esta serra. Com 825 metros de altitude, a serra está rodeada por oito aldeias onde a preservação do seu património tem sido conseguida com a ajuda dos habitantes e instituições locais.

Autêntica pela sua fauna e flora, a serra também pode ser vista como um museu ao ar livre que guarda lendas e antigas histórias da região.

A Serra do Gerês (em galego, Serra do Xurés) abrange serras e rios que complementam a sua extensão de grande valor natural. Repleta de animais de caça, esta serra tem também uma vasta área protegida para que a fauna e flora mantenham a sua diversidade e o seu destaque como as maiores riquezas aqui encontradas. Com 1.430 metros de altitude, e com um exclusivo acesso através do percurso terrestre, é um local indicado para caminhadas e para a observação de um vasto território que se estende até à Serra do Marão.

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A Cascata do Arado é de uma beleza única, e o percurso das suas águas limpas e cristalinas atrai os amantes da natureza que o procuram principalmente no verão, onde encontram um local propício a banhos refrescantes de pureza preservada. Localizada junto à aldeia da Ermida, no coração do Parque Nacional, a cascata encontra-se no curso do rio Arado e está rodeada de rochas e vegetação abundante que embelezam ainda mais o lugar.

O acesso à Cascata do Arado é feito através da aldeia da Ermida, por uma estrada florestal, que o leva até à ponte sobre o rio Arado.

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A Cascata de Leonte é uma queda de água que forma de um lado uma pequena lagoa de águas límpidas, onde os visitantes podem tomar banhos e se envolver com a tranquilidade do lugar. Por estar rodeada de percursos pedestres, esta área chama não só a atenção dos amantes da natureza, mas também dos aventureiros que simplesmente chegam até ao local da Portela do Homem usando os muitos trilhos aqui existentes. Situada perto das Caldas do Gerês, a Cascata de Leonte toma forma devido às águas provenientes do rio Homem, que caem do alto de uma peneda.

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A Cascata da Laja torna-se deslumbrante por estar num panorama montanhoso, fazendo com que seja mais procurada por quem gosta de caminhadas e trilhos pedestres. Não é um local indicado para banhos de verão, mas a paisagem circundante está repleta de espaços únicos de beleza natural. Situada nas Caldas do Gerês, na freguesia de Vilar de Veiga, esta Cascata tem como seu acesso o famoso percurso pedestre, o Trilho da Preguiça, que se inicia na Portela do Homem.

A Portela do Homem é um passo de montanha rodeado por rochas que complementam a beleza dos seus espaços verdes. Aqui encontra-se um famoso bosque, conhecido como Mata da Albergaria, que tem grande importância na região. Está localizado na fronteira entre Portugal e Espanha e é um dos pontos mais procurados pelos viajantes devido à existência do “Trilho das 6 Pontes”, que se enquadra na magnífica paisagem do local. De referir ainda a existência de uma cascata no rio Homem, a 800 metros de distância.

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5 destinos rurais no cinema: o espaço enquanto personagem

O cinema português, contador de histórias e quadro da vida social ao longo de várias épocas, está profundamente ligado à vida rural do país. Desde os primeiros filmes até à atualidade, vários realizadores escolhem a ruralidade lusa para uma das suas obras.

Muitas vezes, essa ruralidade impõe-se de tal forma que transcende o papel de mero espaço de acção para afirmar-se enquanto personagem incontornável da narrativa. Assim, e pegando num turismo rural para cinéfilos, passamos por 5 filmes portugueses onde o meio rural é protagonista:

Mulheres da Beira (1923, Rino Lupo)
Mulheres da BeiraRino Lupo, 1923
O realizador italiano que se apaixonou pelo sol português realizou este filme passado em Arouca. A história conta os devaneios amorosos de Aninhas, uma jovem do campo que sonha com riqueza e amor.

Uma Abelha na Chuva (1972, Fernando Lopes)
Uma Abelha na ChuvaFernando Lopes, 1972
Adaptação do romance homónimo de Carlos de Oliveira, cuja ação decorre na região de Cantanhede (distrito de Coimbra), retrata um país pobre e isolado, e a vida social sob o totalitarismo. “Um universo rural imobilista e opressivo, quebrado por ausências, desencontros ou silêncios” (José de Matos-Cruz, Cais do Olhar – 1999; Cinemateca Portuguesa).

Trás-os-Montes (1976, António Reis e Margarida Cordeiro)
Trás-os-MontesAntónio Reis e Margarida Cordeiro, 1976
Filmado na região do norte do país que lhe deu o título, as suas imagens fluem como um verdadeiro sonho cinematográfico. Testemunho da tradição rural portuguesa, pode ser descrito como “um hino ao interior do nosso país (…), um exercício de nostalgia, da busca de um passado que existe (…)”. (fonte)

Silvestre (1981, João César Monteiro)
SilvestreJoão César Monteiro, 1981
Baseado em dois contos populares (“A donzela que vai à guerra” e “A mão do finado“, do ciclo “Barba Azul”), o filme de César Monteiro passa-se em Trás-os-Montes e conta a história de D. Rodrigo, um varão sem herdeiros que decide casar as suas duas filhas (uma delas ilegítima).

Vale Abraão (1993, Manoel de Oliveira)
Vale AbraãoManoel de Oliveira, 1993
O clássico de Manoel de Oliveira baseado no romance homónimo de Agustina Bessa-Luís tem por cenário o imponente vale do Douro. Conta a história de Ema (a “Bovarinha”), o seu gosto pelo luxo, um casamento sem amor, os seus amantes e ilusões.

A vida rural continuará certamente a influenciar a produção artística nacional, sobretudo no grande ecrã. Conhece outros filmes nacionais cuja narrativa se passe no meio rural? Partilhe-os nos comentários abaixo.

Damos as boas-vindas à Federação Portuguesa de Turismo Rural

A Federação Portuguesa de Turismo Rural foi constituída no dia 2 de Junho e o seu objectivo é apresentar “propostas concretas que visem a participação activa na política de organização, promoção e venda deste importante sector do turismo nacional”.  Isto tendo sempre em conta o desenvolvimento da valorização das regiões e respectivos habitantes.

Assim, e devido a esta ocasião especial, falámos com Cândido Mendes, o presidente da direcção da entidade e que nos contou um pouco sobre a mesma, tal como fazendo um ponto de situação do Turismo Rural no nosso país.

Monte em Cabeção, paisagem rural (Filipe Rocha, Wikimedia Commons)

Começando pela procuraos viajantes nacionais representam a “maior fatia”, com picos de grande sazonalidade (como é habitual no turismo). Há, portanto, trabalho a fazer em termos de dinamização do sector: pretende-se um maior equilíbrio entre a procura interna e a externa, e é esta que poderá preencher a oferta nas épocas de menor actividade.

Os viajantes internacionais contribuem para uma maior estabilização do funcionamento dos estabelecimentos“, afirma Cândido, “porque não estão tão sujeitos a picos de procura como acontece com o turismo interno“. Em termos práticos, os portugueses viajam sobretudo em fins de semana, feriados e pontes (e sendo o Verão a época de procura mais elevada). Assim, há que aproveitar atrair viajantes de fora que venham visitar o país nos períodos de menor actividade.

Ao estabilizar a procura cria-se “uma maior consistência na aplicação de padrões de serviço e de qualidade” dos mesmos, conseguindo-se também ganhos em termos de gestão de tesouraria. Além disso, o equilíbrio da procura tem como consequência positiva directa o “aumento das taxas de ocupação, porque as estadas de turistas internacionais não estão sujeitas à ocupação de fim de semana exclusivamente, como acontece maioritariamente com o turista interno“.

Piódão (Mike Warren, Flickr)

Olhando agora para a ofertaCândido Mendes considera também que o mercado turístico online “é hoje uma das principais ferramentas de promoção, divulgação e venda do produto turístico“.

A Federação terá também por objectivo a criação de plataformas de comunicação na Internet, “seja através de centrais de reservas, seja através da presença nas principais redes sociais de uma forma profissional e direccionada“. E é com isto em mente que o seu papel neste fortalecimento do mercado onlinedeverá ser a montante, ou seja, junto dos proprietários, no sentido de criar a consciência para as necessidades de melhoria constante e na aposta numa comunicação de qualidade“.

Por outro lado, há que actuar “junto das grandes centrais de reservas de forma a que o Turismo em Ambiente Rural de Portugal se possa apresentar de forma visível nos diversos mercados emissores, ganhando competitividade e operacionalidade“.

Em suma, e com tantas associações portuguesas actualmente dedicadas à dinamização do sector turístico rural, a criação da Federação é certamente uma notícia bastante positiva, sobretudo no que diz respeito à organização e promoção da nossa oferta.

Fiquem atentos porque, sempre que possível, tentaremos divulgar mais informação sobre este assunto.

Damos as boas-vindas à Federação Portuguesa de Turismo Rural

A Federação Portuguesa de Turismo Rural foi constituída no dia 2 de Junho e o seu objectivo é apresentar “propostas concretas que visem a participação activa na política de organização, promoção e venda deste importante sector do turismo nacional”.  Isto tendo sempre em conta o desenvolvimento da valorização das regiões e respectivos habitantes.

Assim, e devido a esta ocasião especial, falámos com Cândido Mendes, o presidente da direcção da entidade e que nos contou um pouco sobre a mesma, tal como fazendo um ponto de situação do Turismo Rural no nosso país.

Monte em Cabeção, paisagem rural (Filipe Rocha, Wikimedia Commons)

Começando pela procuraos viajantes nacionais representam a “maior fatia”, com picos de grande sazonalidade (como é habitual no turismo). Há, portanto, trabalho a fazer em termos de dinamização do sector: pretende-se um maior equilíbrio entre a procura interna e a externa, e é esta que poderá preencher a oferta nas épocas de menor actividade.

Os viajantes internacionais contribuem para uma maior estabilização do funcionamento dos estabelecimentos“, afirma Cândido, “porque não estão tão sujeitos a picos de procura como acontece com o turismo interno“. Em termos práticos, os portugueses viajam sobretudo em fins de semana, feriados e pontes (e sendo o Verão a época de procura mais elevada). Assim, há que aproveitar atrair viajantes de fora que venham visitar o país nos períodos de menor actividade.

Ao estabilizar a procura cria-se “uma maior consistência na aplicação de padrões de serviço e de qualidade” dos mesmos, conseguindo-se também ganhos em termos de gestão de tesouraria. Além disso, o equilíbrio da procura tem como consequência positiva directa o “aumento das taxas de ocupação, porque as estadas de turistas internacionais não estão sujeitas à ocupação de fim de semana exclusivamente, como acontece maioritariamente com o turista interno“.

Piódão (Mike Warren, Flickr)

Olhando agora para a ofertaCândido Mendes considera também que o mercado turístico online “é hoje uma das principais ferramentas de promoção, divulgação e venda do produto turístico“.

A Federação terá também por objectivo a criação de plataformas de comunicação na Internet, “seja através de centrais de reservas, seja através da presença nas principais redes sociais de uma forma profissional e direccionada“. E é com isto em mente que o seu papel neste fortalecimento do mercado onlinedeverá ser a montante, ou seja, junto dos proprietários, no sentido de criar a consciência para as necessidades de melhoria constante e na aposta numa comunicação de qualidade“.

Por outro lado, há que actuar “junto das grandes centrais de reservas de forma a que o Turismo em Ambiente Rural de Portugal se possa apresentar de forma visível nos diversos mercados emissores, ganhando competitividade e operacionalidade“.

Em suma, e com tantas associações portuguesas actualmente dedicadas à dinamização do sector turístico rural, a criação da Federação é certamente uma notícia bastante positiva, sobretudo no que diz respeito à organização e promoção da nossa oferta.

Fiquem atentos porque, sempre que possível, tentaremos divulgar mais informação sobre este assunto.

Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros – Série Reservas Naturais

Prosseguindo a nossa série dedicada às Reservas Naturais de Portugal, viajamos desta vez até ao Parque Natural das Serras de Aire e CandeeirosDesde 1979 que é considerado área protegida, visando-se assim a protecção da natureza e também património arquitectónico da região. O nome do Parque provém das duas serras que o constituem. Com quase 39 mil hectares, abrange municípios dos distritos de Leiria e Santarém. Vamos conhecê-lo?

É a mais importante zona calcária nacional e também o maior reservatório de água doce do país (aproximadamente 65 mil hectares), alimentado sobretudo pelas águas da chuva e que forma nascentes como a do Alviela (que abastece Lisboa desde 1880).

O Parque é considerado como “a capital da espeleologia” devido às várias cavidades naturais existentes, sendo as Grutas de Mira d’ Aire (ou Gruta dos Moinhos Velhos) as mais famosas. Abertas ao público desde 1970, e eleitas pelos seguidores Toprural como uma das 7 Maravilhas Rurais de Portugal, têm aproximadamente 9 km de extensão. Destes, apenas 600 metros são visitáveis, embora já seja uma excelente oportunidade para observar fantásticas estalactites, estalagmites, lagos interiores, etc.

Também não pode deixar de visitar as Pegadas da Serra de Aire, uma antiga pedreira onde se descobriram pegadas de dinossauros em 1994, dando assim origem ao espaço actual, de grande importância paleontológica. Além de atracções como o “Jardim Jurássico”, aqui encontrará os maiores e mais bem conservados trilhos de saurópodes de que há conhecimento: são mais de 1000 pegadas com 175 milhões de anos.

Todo este ambiente natural, desenvolvido ainda no Jurássico Médio, torna-se automaticamente o lar ideal para uma grande variedade da fauna (mais de 600 espécies) e flora de todas as espécies de mamíferos (sobretudo morcegos, devido à existência de tantas grutas e cavernas), aves (como a gralha-de-bico-vermelho e o bufo real), anfíbios (a salamandra-de-fogo e o tritão-marmoreado) e répteis (como a víbora-cornuda, por exemplo).

Resumindo, esta área protegida abrange pontos de interesse que vão dos vestígios de dinossauros às maiores grutas do país, de importantes recursos geológicos a todas as espécies que constituem tamanha biodiversidade. Serão necessárias mais razões para fazer um pouco de turismo rural na região?