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“Gosto de aprender com as experiências de vida das pessoas que me rodeiam” – Entrevista a Paulo Guerra dos Santos

Paulo Guerra dos Santos, que em 2012 recebeu da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores da Bicicleta o galardão de Cidadania pelo activismo em prol da promoção da bicicleta, por acções relacionadas com a sua tese de mestrado e o projecto “100 dias de bicicleta em Lisboa“, pela volta a Portugal “100 dias de bicicleta em Portugal” e pelo projecto Ecovias de Portugal, pelo qual é responsável.

As Ecovias têm um conceito simultaneamente simples e ambicioso: promover a bicicleta como forma de turismo.

Para que tal seja possível há que entender o processo que torna uma iniciativa destas viável, como a necessidade de registar caminhos e estradas secundárias. Aliás, é a qualidade da sinalização que permitirá ao “ciclo-turista” orientar-se de forma a descobrir as mais belas zonas de uma determinada região.

Não podíamos deixar de achar toda a iniciativa extremamente interessante, não só por ser uma forma de turismo original e ecologicamente responsável, como também pela força de vontade do seu visionário. Passemos à entrevista:

Como surgiu a ideia das Ecovias de Portugal?
O Projecto Ecovias de Portugal teve o seu nascimento embrionário na Finlândia, país onde estagiei em 2007, no Instituto de Estradas Finlandês, e onde desenvolvi trabalho nas área da mobilidade e acalmia de tráfego. Este país tem uma rede ciclável com mais de 40 mil quilómetros, que permitem viajar por todo o país incluindo grande parte das milhares de ilhas que o constituem. Percorri algumas das suas rotas e fiquei impressionado.

Depois, a sua gestação foi-se desenvolvendo durante os anos de 2008 e 2009, enquanto estava a realizar pesquisas para a tese de mestrado em Vias de Comunicação e Transportes, no trabalho de campo “100 dias de bicicleta em Lisboa“, onde passei a utilizar a bicicleta como meio de transporte na capital. Confirmei as vantagens da utilização da bicicleta como meio de transporte, mesmo numa cidade como Lisboa.

Por fim, o nascimento do projecto deu-se durante a volta a Portugal que fiz em bicicleta no ano de 2010. Ao longo dos mais de 4500 km pedalados e em que visitei mais de 100 cidades e vilas, percorri muito do território entre elas apercebendo-me do potencial turístico do país sob o ponto de vista dos adeptos do turismo de natureza em bicicleta. Alguma pesquisa de informação sobre projectos semelhantes em outros países acabou por dar o impulso final para avançar com este conceito inovador em Portugal: a georreferenciação de caminhos e estradas secundárias existentes, com interesse do ponto de vista natural, paisagístico, arquitectónico e cultural, e criação de roteiros turísticos de média e longa distância para serem percorridos em bicicleta na sua íntegra.

Podemos afirmar que o Paulo é apaixonado pelo turismo rural? Há algum destino preferido?
Sou apaixonado pelo mundo rural em si. Nasci numa pequena aldeia do concelho de Aguiar da Beira, nos limites do distrito da Guarda, e apesar de ter crescido na capital, mantive sempre o contacto com as tradições e costumes da vida ao ar livre. Visito com frequência a aldeia. Agora, em bicicleta, visito também muitas outras.

Muitos alojamentos rurais disponibilizam bicicletas para passeios na região. Alguma recomendação específica no sentido de optimizar a experiência?
Sim, apostarem na georreferenciação de caminhos em bom estado de conservação nos seus municípios e criarem rotas temáticas e culturais para serem percorridas em bicicleta.

Já encontrou muitos destinos (lugares de interesse naturais, aldeias, etc.) com um potencial turístico desaproveitado?
De cada vez que pego na bicicleta para explorar uma região ou um concelho, descubro locais que me levam a questionar: “por que nunca tinha estado aqui?”

Em 2010 o Paulo deu início aos seus 100 dias de bicicleta. Qual era o principal objectivo da iniciativa? Que conclusões conseguiu tirar do desafio?
O principal objectivo desta volta em bicicleta pelo país que durou 4 meses foi o de contactar com os responsáveis autárquicos e fazer um levantamento geral dos projectos já desenvolvidos ou ainda em papel na área da mobilidade ciclável e promoção da utilização da bicicleta como meio de deslocação. Percebeu-se na altura que a aposta em infraestruturas dedicadas ao Turismo em Bicicleta era ainda muito embrionário em Portugal. Agora, com projectos como o das Ecovias de Portugal que estamos a desenvolver a uma escala temporal de cerca de 10 anos, o tema já entrou no debate público e político.

Até onde é que acha que a tecnologia poderá avançar no sentido de ajudar os ciclo-turistas, sobretudo em zonas rurais?
A internet e as redes sociais são um grande canal de comunicação entre os utilizadores destas tecnologias. Neles partilham-se experiências e opiniões, divulgam-se rotas, promovem-se territórios, sugerem-se destinos. E depois há o GPS, que nos guia por qualquer parte do globo terrestre.

Qual a viagem de bicicleta pelo Portugal rural que mais o marcou?
Todo o território (cerca de 92 mil km quadrados) é lindíssimo e oferece variados ambientes. Desde serras e montanhas, vales e rios, parques naturais, costa oceânica, planícies, flora e fauna variadas e claro, gentes e modos de vida ainda ligados ao território como fonte de sustento e de rendimento, difíceis de observar nos grandes aglomerados urbanos.

Raio-X
Retiro rural favorito: A pequena aldeia beirã onde nasci, pelo território e pelas pessoas.
Um livro que levaria consigo: Leio pouco. Observo muito e oiço ainda mais. Gosto de ouvir e aprender com a transmissão de conhecimentos e de experiências de vida das pessoas que me rodeiam. “Todo o homem que encontro me é superior em algo. E nesse particular, aprendo com ele”, Ralph Waldo Emerson.
Uma viagem que ficou na memória: os 100 dias de bicicleta em Portugal, pelos milhares de pessoas que conheci ao longo da viagem e a tornaram inesquecível. Pelas paisagens que nunca tinha visto. Por ter alcançado tudo isso exclusivamente com a minha energia, a pedalar. Isto inclui a Serra da Estrela e o Monte da Sra. da Graça.
Um colega cujo trabalho admira: Um casal: o Rafael e a Tânia. Viajaram nas suas bicicletas de Ovar a Macau. Isso sim, é trabalho, para levar a imagem de Portugal pelo mundo fora.
A próxima viagem: 100 dias de bicicleta pela Europa. Provavelmente de Lisboa à Finlândia.
Prato favorito: Enquanto pedalo? Figos secos portugueses. São uma bomba energética. Cada figo ingerido dá-me energia para pedalar mais 5 km. De resto, adoro tudo o que é gastronomia regional, seja peixe, carne ou marisco.

Seria interessante saber quantos dos nossos leitores utilizam a bicicleta com regularidade, sobretudo mais como alternativa de deslocação do que propriamente enquanto exercício físico… deixem os vossos comentários abaixo!

Para ler sobre outras personalidades com impacto no mundo rural, consultem a secção de Entrevistas Toprural.

Mudar o mundo com 13 anos

Um rapaz alemão, agora com 13 anos, é o responsável pelo movimento “Plant for the Planet“, que está a mudar o mundo. A Toprural conta-lhe a história.

Felix com dois apoiantes de luxo: Gisele Bündchen e Harrison Ford

Tudo começou há 4 anos, em que no seguimento de um trabalho escolar, Felix Finkbeiner proferiu uma palestra sobre como a plantação de árvores poderia contribuir para a diminuição das alterações climáticas. Uma das frases que mais sobressaiu no seu discurso é «nós as crianças compreendemos que não podemos confiar apenas nos adultos para salvar o nosso futuro. Temos nós de tomar as rédeas do nosso futuro».

A grande inspiração foi Wangari Maathai, a activista queniana que recebeu o Nobel da Paz em 2004, e que foi responsável, directa ou indirectamente, pela plantação de mais de 30 milhões de árvores para combater a desflorestação e a erosão dos solos.

De palestra em palestra, alcançado cada vez mais ouvidos e convertidos à causa, em breve foi alcançado o objectivo inicial de Felix, que seria “apenas” a plantação de um milhão de árvores no seu país, a Alemanha. Agora, este movimento está já presente em 131 países, através da campanha “Stop Talking. Star Planting” (algo como “pare de falar, comece a plantar”).

Este exemplo ensina-nos duas lições: as boas ideias não têm idade e basta uma pessoa para mudar o mundo.

Veja aqui o discurso de Felix nas Nações Unidas (em inglês).

Visite o Parque Nacional da Peneda-Gerês

Com cerca de 72 mil hectares, o Parque Nacional da Peneda-Gerês é a única área protegida portuguesa a receber a classificação de parque nacional, o que só por si já é sinal de beleza invulgar. Não pode deixar de o visitar.

Criado em 1971, localiza-se no Noroeste de Portugal, junto à fronteira com a região espanhola da Galiza, e engloba na sua área territórios de cinco concelhos:

Atravessado pelos rios Lima, Homem e Cávado o Parque engloba também as Serras do Gerês, da Peneda, do Soajo e Amarela. É assim possível observar paisagens de cortar a respiração, como é o caso do miradouro da Pedra Bela.

Se ao nível da flora, o Parque apresenta quatro grandes grupos – carvalhais, formações arbustivas, lameiros e vegetação ripícola – também na fauna a riqueza e variedade abundam, com destaque para a águia-real, o bufo-real, a narceja (que tem no Parque o único local de reprodução conhecido em Portugal), a marta, o arminho, e o lobo, espécie em perigo de extinção em Portugal. Representativos são também o corço,  animal presente no emblema do Parque Nacional, e o cavalo Garrano.

A visitar

São muitos os locais a visitar dentro do Parque, mas não pode perder os seguintes construídos pela mão do Homem:

  • Castro Laboreiro – Vila com um castelo medieval, é também reconhecida como sendo a origem da raça de cães de… Castro Laboreiro.
  • Mosteiro de Santa Maria das Júnias – edifício em ruínas, declarado como Monumento Nacional em 1950 .
  • Vilarinho das Furnas – aldeia submersa por construção de barragem no rio Homem. Local de romaria para os praticantes de mergulho, é também possível de ver as ruínas em anos de seca ou quando a barragem é esvaziada.

Também a Natureza tem muito para oferecer. Assim, nada melhor do que fazer percorrer um dos roteiros aconselhados pelo Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade, seja a ou de automóvel.

Conselhos

O Parque Nacional da Peneda-Gerês pode ser visitado em qualquer altura do ano. Há, no entanto, normas a seguir:

  • Não conduzir fora das estradas;
  • Siga os caminhos e trilhos existentes;
  • Não faça campismo selvagem;
  • Não faça lume;
  • Leve o seu lixo consigo, ou coloque nos caixotes apropriados
  • Não colha plantas, flores, cogumelos, frutos ou amostras minerais;
  • Respeite as indicações dos guardas, vigilantes e técnicos do Parque;
  • Não perturbe a tranquilidade;
  • Cumpra os regulamentos de caça e pesca.

Alojamento

Fique com algumas sugestões de alojamento na região:

Mais informações sobre o Parque aqui.