Turismo Literário: destinos de 5 obras da literatura portuguesa

É cada vez mais frequente encontrar um tipo de viajante que embarca num percurso cujo objectivo vai além do destino por si só. Muitas vezes o motivo da viagem está associado a características específicas, qualidades culturais (uma festa/romaria específica ou uma vinha famosa) ou naturais (serras, praias, grutas, etc.), por exemplo, e que conferem ao lugar um valor especial.

Decidimos assim escolher 5 obras de relevo da literatura portuguesa e apresentar os destinos presentes nas mesmas. Agrada-nos a ideia de (re)ler um destes livros enquanto viajamos para os locais onde decorrem as narrativas. Chamemos-lhe “turismo rural literário”!


Viagens na Minha Terra (1846) – Almeida Garrett
Baseado numa viagem do próprio autor entre Lisboa e Santarém, este romance histórico representa um momento muito importante para a prosa portuguesa, reunindo vários estilos literários, assumindo formas como um diário de viagem, crónica jornalística, manifesto político e romance.


Amor de Perdição (1862) – Camilo Castelo Branco
Com traços shakesperianos, a acção decorre maioritariamente em Viseu (embora também Lisboa, Vila Real, Coimbra e Lamego). Conta a história trágica (baseada em eventos reais) da relação de Simão Botelho e Teresa de Albuquerque, e do ódio mútuo das respectivas famílias.


Os Maias (1888) – Eça de Queiroz
Uma das obras mais importantes da literatura portuguesa, conta-nos a história de três gerações da família Maia. Um romance realista polvilhado com ironia, crítica social e catástrofe. A maior parte da acção decorre na casa chamada “O Ramalhete”, em Lisboa. No entanto, outras localizações presentes na obra são Santa Olávia (a Quinta da família no Douro), o Hotel Lawrence em Sintra e ainda Coimbra.


Aparição (1959) – Vergílio Ferreira
A narrativa começa com Alberto Soares (personagem central do livro) em casa, já velho. Uma analepse inicial leva-o a recordar a sua vida em Évora, reflectindo sobre a sua existência e os eventos que o fizeram. Uma segunda analepse leva-o até a eventos mais longínquos da sua vida (a morte do cão). Considerada a obra-prima do escritor, apresenta características relacionadas com o existencialismo.


Vale Abraão (1991) – Agustina Bessa-Luís
Levado ao cinema por Manoel de Oliveira (com quem a prolífera escritora colaborou muitas vezes), a narrativa passa-se nas margens do Douro vinhateiro. É a história de Ema (uma mulher de enorme beleza), apelidada de “A Bovarinha”, o seu marido (sem qualquer noção de romantismo) e os amantes.

Certamente concordarão, as obras mencionadas constituem marcos importantíssimos na escrita portuguesa. Não obstante, são apenas cinco e certamente haverão muitas outras tão inspiradoras quanto as apresentadas.

Por último, gostaríamos de saber a sua opinião. Se já leu algum destes livros, associa o destino à obra de alguma forma? Que outros livros o/a inspiram?

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