Category Archives: Série Reservas Naturais

Reserva Natural das Dunas de São Jacinto – Série Reservas Naturais

Declarada Reserva Natural em 1979, a Reserva Natural das Dunas de São Jacinto é o destaque do artigo de hoje, dando continuação à nossa Série dedicada a Reservas Naturais.

Com 700 hectares e situada entre Ovar e São Jacinto, esta área de areais, bosques e lagoas está rodeada pelo Atlântico e pela Ria de Aveiro, estando integrada na respectiva Zona de Protecção Especial.

Dunas de São Jacinto (Rodry144, Wikimedia Commons)

As dunas são estruturas frágeis cuja protecção é essencial para a preservação da fauna e flora. No entanto, a zona era diferente antes do séc. XIX: as areias encontravam-se em constante movimento, o que dificultava a fixação de plantas. Na mesma altura, a abertura artificial do canal da Barra permitiu que a água do oceano encontrasse a dos rios, dando origem à Ria de Aveiro (a qual já mencionámos quando falámos de salinas de Portugal).

A Reserva divide-se em três zonas específicas:

  • Reserva Natural Integral: constituída pela zona de dunas estabilizadas e os pontos de nidificação das garças;
  • Reserva Natural Parcial: praticamente toda a área florestal;
  • Reserva do Recreio: zona de praia e de mata.

Dentro da variedade de fauna da Reserva, predominam as aves como o chapim-real, a gaivota-ar-gêntea, o guincho, o pato-marinho, e ainda anatídeos como o pato-real e a garça-branca. Em termos da flora, encontramos com mais frequência choupos, salgueiros, juncos e o pinheiro-bravo, responsável pela fixação das terras da Reserva Natural.

vários trilhos para fazer, e construídos de forma a não se interferir com vida selvagem local, sendo de destacar o passeio do Trilho de Descoberta da Natureza. É um lugar de visita obrigatório para qualquer um que goste de natureza e que esteja de passagem pelo distrito de Aveiro.

Paisagem Protegida das Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos – Série Reservas Naturais

Parte da Reserva Ecológica Nacional (REN) e Paisagem Protegida desde 2000, a zona das Lagoas de Bertiandos e de São Pedro d’Arcos é a mais recente área natural destacada na nossa Série de Reservas Naturais.

São 350 hectares de vales, florestas e bacias de água na região de Ponte de Lima. Nestas duas lagoas e área circundante encontramos uma enorme biodiversidade. A zona também tem partes pantanosas, pelo que é frequente ouvir-se o coaxar dos sapos e as rãs. Além destes anfíbios, ainda podemos encontrar lontras, gatos-bravos e toupeiras-de-água (a maioria em risco de extinção), entre muitos outros.

Em relação à flora, também há uma grande diversidade: além de zonas húmidas e não-húmidas, encontrará amieiros, vidoeiros e salgueiros, são mais de 80 espécies a colorir a paisagem de vários tons de verde (ou raras, ou em vias de extinção) e sobretudo a constituir refúgio e lar para todos os animais já mencionados.

Passear na zona é tarefa fácil, graças às vias de madeira construídas para apreciadores da Natureza: há vários trilhos que vão de extensões de 1,6 a quase 13 km.

Para quem viaje até ao coração do Minho, no distrito de Viana do Castelo, esta é uma boa oportunidade para relaxar e passear muito.

Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo – Série Reservas Naturais

A equipa do Toprural PT foi, este último fim de semana, passear até à Serra da Arrábida, onde se encontra o Portinho (uma das 7 Maravilhas Rurais). Voltámos com vontade de continuar a nossa Série Reservas Naturais, e desta vez decidimos escrever sobre a Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo.

Este espaço natural com cerca de 4900 hectares fica no norte do país, perto de Macedo de Cavaleiros (Bragança). O nome vem do rio Azibo (com 50 km), um afluente do rio Sabor, onde desagua.

É perto deste concelho que encontramos o primeiro ponto de interesse: a Barragem do Azibo. Inseridas numa zona de grande riqueza geológica (a do Maciço de Morais), encontramos as duas praias fluviais da zona: a Praia da Ribeira e a Praia da Fraga da Pegada (à qual é atribuída, consecutivamente e desde 2004, a Bandeira Azul, caso raro na Europa).

Praia do Azibo (foto de Hugo Cadavez - Wikimedia Commons)

A variedade da fauna e flora é notória. Peixes, répteis, anfíbios, aves (é uma zona propícia para observação, sobretudo da cegonha branca) e mamíferos (como javalis e raposas) conduzem as suas vidas entre galerias ribeirinhas, orquídeas e outros tipos de árvores e plantas.

A barragem é também uma zona de pesca, sobretudo de espécies como a carpa ou a perca, além de ser um espaço ideal para caminhadas: para ver alguns trilhos, clique aqui. É verdade que em muitas reservas, parques ou paisagens protegidas o acesso é reduzido (ou mesmo interdito). No entanto, a Albufeira do Azibo permite por um lado desfrutar de um ambiente sossegado, e por outro de um clima característico de férias em família, graças às praias fluviais. As crianças vão agradecer!

Se já visitou este espaço natural com praias fluviais tão a norte do país, partilhe a sua experiência nos comentários abaixo!

Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros – Série Reservas Naturais

Prosseguindo a nossa série dedicada às Reservas Naturais de Portugal, viajamos desta vez até ao Parque Natural das Serras de Aire e CandeeirosDesde 1979 que é considerado área protegida, visando-se assim a protecção da natureza e também património arquitectónico da região. O nome do Parque provém das duas serras que o constituem. Com quase 39 mil hectares, abrange municípios dos distritos de Leiria e Santarém. Vamos conhecê-lo?

É a mais importante zona calcária nacional e também o maior reservatório de água doce do país (aproximadamente 65 mil hectares), alimentado sobretudo pelas águas da chuva e que forma nascentes como a do Alviela (que abastece Lisboa desde 1880).

O Parque é considerado como “a capital da espeleologia” devido às várias cavidades naturais existentes, sendo as Grutas de Mira d’ Aire (ou Gruta dos Moinhos Velhos) as mais famosas. Abertas ao público desde 1970, e eleitas pelos seguidores Toprural como uma das 7 Maravilhas Rurais de Portugal, têm aproximadamente 9 km de extensão. Destes, apenas 600 metros são visitáveis, embora já seja uma excelente oportunidade para observar fantásticas estalactites, estalagmites, lagos interiores, etc.

Também não pode deixar de visitar as Pegadas da Serra de Aire, uma antiga pedreira onde se descobriram pegadas de dinossauros em 1994, dando assim origem ao espaço actual, de grande importância paleontológica. Além de atracções como o “Jardim Jurássico”, aqui encontrará os maiores e mais bem conservados trilhos de saurópodes de que há conhecimento: são mais de 1000 pegadas com 175 milhões de anos.

Todo este ambiente natural, desenvolvido ainda no Jurássico Médio, torna-se automaticamente o lar ideal para uma grande variedade da fauna (mais de 600 espécies) e flora de todas as espécies de mamíferos (sobretudo morcegos, devido à existência de tantas grutas e cavernas), aves (como a gralha-de-bico-vermelho e o bufo real), anfíbios (a salamandra-de-fogo e o tritão-marmoreado) e répteis (como a víbora-cornuda, por exemplo).

Resumindo, esta área protegida abrange pontos de interesse que vão dos vestígios de dinossauros às maiores grutas do país, de importantes recursos geológicos a todas as espécies que constituem tamanha biodiversidade. Serão necessárias mais razões para fazer um pouco de turismo rural na região?

Parque Natural do Vale do Guadiana – Série Reservas Naturais

Continuando a Série de Reservas Naturais Toprural, a nossa atenção recai agora sobre o Parque Natural do Vale do Guadiana. Criado em 1995 e com praticamente 70 mil hectares, está situado no Baixo Alentejo, e abrange mais do que um concelho do distrito de Beja (uma parte no concelho de Serpa e outra no de Mértola).

O Parque segue o curso do rio Guadiana, entre a queda de água do Pulo do Lobo (provavelmente a maior atracção e que foi candidato a Maravilha Rural 2012) e a ribeira do Vascão (que divide o Alentejo do Algarve). Na zona do Guadiana poderá também visitar vários açudes e moinhos.

Outros locais a não perder são Mértola (a vila-museu e principal pólo urbano do Parque) e o antigo complexo mineiro de São Domingos. Esta mina foi, noutros tempos, a maior mina de pirite da Península Ibérica. Explorada por ingleses e empregando mais de 1500 mineiros, foi definitivamente encerrada em 1960. No entanto, ainda poderá ver o Bairro Mineiro e o Palácio dos Ingleses. Se fizer bom tempo, vale a pena passar pela Praia da Albufeira da Tapada Grande, nas redondezas da mina.

De acordo com a Associação Rota do Guadiana, as espécies vegetais predominantes são o sobreiro, pinheiro-manso, azinheiras e estevas. Por sua vez, a fauna da região revela-se riquíssima: javalis, raposas, saca-rabos, ginetes, texugos e gatos-bravos compõem a família terrestre. No mundo aquático, destacam-se os ciprinídeos, nomeadamente o barbo, boga e lampreia. No que diz respeito às aves, há concentrações de águias-de-Bonelli, abutres do Egipto e bufos-reais, além das cegonhas (comuns e, mais raras, as cegonhas-pretas).

Com a meteorologia a melhorar, as zonas naturais de Portugal são excelentes destinos para turismo rural, seja para umas férias prolongadas ou um fim de semana de recuperação de energias.

Se não é grande apreciador das zonas mais quentes no pico do Verão, esta é então a melhor altura para planear uma incursão ao Vale do Guadiana. Boa viagem!